domingo, 27 de novembro de 2016

Carta para os gêmeos

Meninas,

como ja disse no post anterior, andei muito chateada pelos ultimos acontecimentos com minha amiga.
Com um pouco mais de tempo sentaremos para escrever, eu e ela, e vamos tentar contar tudo o que aconteceu.
Nesse momento, as feridas - fisicas e emocionais ainda estao abertas.
O tempo deverá cuidar de amenizar um pouco a dor, trazer bons momentos, e acima de tudo, aprender a viver com o que aconteceu.
Quero ainda discutir no blog bastante sobre um assunto pouco falado: o aborto.
Porque sofrer calada?
Porque escutar que "quando outro filho chegar, vc vai esquecer disso". Não, não vai. Uma mãe que perde um filho perde os sonhos sonhados para aquele filho.
O tempo ensina a LIDAR, a administrar esse sentimento.
Mas as cicatrizes sempre estarão no coração.
Quem quiser falar sobre o aborto, me procure por favor.
Quero fazer posts aqui.
Quero visitar esse local pouco falado.
Quero que cada uma que ja passou por essa dor possa encontrar espaço aqui.

Segue uma carta que minha amiga fez para seus meninos.

Eu nunca os vi meus filhos, mas os conheço e os senti como ninguém! São reais!
Vcs me tornaram mãe, me fizeram enxergar que sou capaz de gerar...fazer bracinhos e dedinhos!
Me deram mais anos com o vovô... sim meus amores, o vovô parou de fumar!
Fizeram o q eu achava impossível... Amar ainda mais o papai! Ele acorda mais lindo todos os dias! Não sei como ele faz isso... Um dia ainda descubro!
Aproximaram nossas famílias,  mostraram o quanto somos queridos por todos...
Uma passagem tão rápida, tão fugaz...mas tão importante, fizeram muito para muitos! Fizeram tanto por mim! Muito obrigada!
Inesquecíveis, reais, marcaram minha alma,  meu coração e meu corpo!
São nossos filhos queridos,  irmãos da melzinha para todo o sempre!
Faria td outra vez meninos,  mil x se necessário... para senti los em meu ventre!
Beijo da mamãe

Chupeta

Meninas,

Mil coisas acontecendo, a casa caindo e.... o impossivel aconteceu! BEATRIZ LARGOU A CHUPETA!!! (vendeu, como ela costuma explicar)

Vou contar como foi...

Primeiro, se lembram como ela foi um bebê dificil??? Chorava dia e noite, noite e dia, sem parar. Na primeira consulta, o pediatra recomendou fortemente o uso da chupeta...
Na segunda consulta, disse a ele que ela não pegava. Ele me deu uma lista de marcas e comprei todas as marcas que ele sugeriu.
Na terceira consulta, ela saiu com a chupeta.
Ufa.
Eu procurava o botão OFF, e quando não encontrava, as vezes a chupeta a fazia acalmar e dormir.
No primeiro mes, eu colocava paninhos com o meu cheiro na esperança de acalmar, aconchegar... mas na epoca nada dava certo. Affffff que fase.
Mas ela foi crescendo.
Quando passou a dormir a noite, ela acordava quando a chupeta caia.
Eu levantava, pluft colocava a chupeta na boca, e voltavamos todos a dormir.
Quando ela aprendeu a colocar a chupeta na boca, colocava 3, 4, 5 chupetas espalhadas no berço, para facilitar a busca a noite. Funcionava. Nessa epoca tambem, ela aprendeu a arremessar a chupeta. Quando queria que eu fosse, arremessava as 1823363 chupetas para fora do berço e então chorava, do tipo "não alcanço nenhuma, vem ca, vem".
Foi quando passei a amarrar as chupetas num paninho, na naninha.
Bia e sua naninha.
Alem do paninho, uma cordinha e um bichinho.
Paninho atoalhado branco, com o interior rosa liso em cetim e um cachorrinho. Chupeta pendurada na cordinha.
Na falta desse, comprei ursinhos, patos, outras cores... Tudo em vão. Naninhas sempre rosa, de cachorrinho. Ela recusava outros modelos. Pastei na rede alo bebe procurando a especifica. Bia atualmente tem 5 dessas.
Uma amiga uma vez me alertou sobre os dentes. Alem do ja conhecido dano que a chupeta causava, ela amarrada num pano era ainda pior. Mas a Bia acalmava. Ficava quieta. Era dependente dela. Só dormia com a nana.
Caiu? Nana.
Está no carro? Nana.
Chorou? Nana.
Até seu primeiro ano de vida, a nana era um artificio para dormir, para pegar no sono.
Conforme ela cresceu, passou a ser mais e mais dependente EMOCIONALMENTE dela.
Numa consulta de dois anos e pouco, o mesmo pediatra me falou: "chega dessa chupeta. Esta passando do ponto".
Foi no inicio do ano.
Preciso reduzir o uso da mesma.
Aham.... Facil... sqn.
Primeiro tentei reduzir o uso. Ela chorava.
Passei a diflamar a chupeta. Entortava os dentes. Quando viamos criancas banguelas na rua, apontava e dizia que era de tanto usar chupeta.
Ela é vaidosa, vai dar certo. Aham.... não funcionou.
Em agosto, decidi que a Disney seria o local perfeito para ela deixar a chupeta.
Daria para uma princesa.
Glamour puro!! Tudo para dar certo. No primeiro dia de parque, ofereci para a Cinderela, castelo, tudo perfeito.
Não quis.
Pro mickey?
Não
Pra Elsa?Não.
No terceiro dia de parque, ja descrente que ia conseguir, ela me aborda na loja: quero essa boneca da Elsa neném. Ah, mas custa muito caro. Só se vc deixar de usar a chupeta.
Não quero mais usar a chupeta mamãe.
Ualllll

Comprei a Elsinha. Sem a chupeta, ela não dormiu a tarde. Mas ficou bem.
Expliquei que a Elsinha estava feliz por ter sido escolhida, mas ela não queria mais que a Bia usasse chupeta. Funcionou, das 10 da manhã até as 19 da noite. Quando chegou o sono, sem soneca.... ela urrava no carro. Sim, no carro. Nem com o balanco do carro. Dei a maledeta.
Não ia ficar insistindo e melar a viagem.
Ficou com a chupeta e a Elsinha a viagem toda.
Agora, alem de carregar de um lado para o outro a nana com a chupeta, ela carregava a Elsinha tambem.
No voo de volta, ela dormiu quase que a viagem toda. Quando chegamos, descemos do avião e a ELSINHA FICOU!!!! Desfiz as malas, e passei dois dias inteiros revirando a casa para chegar a conclusao que a Elsinha tinha ficado no avião. Liguei na TAM e nada, ninguem sabe ninguem viu.
Expliquei para a Bia que a Elsinha tinha ficado chateada porque ela ainda usava chupeta, e por isso tinha ido embora.
#pessimamãe
#mejulguem

Na semana seguinte, a BFF dela, a Nicole, ia para a Disney. Pedi que me comprasse uma Elsinha.
Foi um parto achar uma Elsinha, porque era brinquedo exclusivo da casa da Elsa, disponivel apenas na casa dela na Epcot. Revirei o site, liguei no 0800, ngm podia me ajudar. Mas a mãe da Nicole comprou para mim e me mandou uma foto.
Mostrei a foto para a Bia e disse: a Elsinha me mandou um email. Disse que esta com saudades. Que vai voltar quando voce largar a chupeta. Excelente plano!!! Mas a mãe da Nicole colocou a Elsinha na mochila, e quando fui buscar a Bia na escola, ela me entregou a Elsinha numa mão... com a chupeta na outra.
Lascou-se.
Dai me falaram de uma fada, que vc pagava e vinha em casa....
De uma arvore de chupetas...
E fui falando tudo o que ouvia... e nada surtia efeito.
Ate que um dia. o marido pediu para busca-lo no metro.
Estava chovendo.
Fui e para não esperar em frente ao metro, paramos um pouco antes. Em frente a Ri Happy, ali na domingos de moraes. A loja é imensa, e tem umas quatro vitrines.
"ual, Bia. Voce pode entrar nessa loja e escolher O QUE QUISER. Essa loja aceita chupeta em pagamento. Nem todas lojas aceitam... Nossa, olha esse ponei? E essa baby alive! Ualllll"
O pai chegou, não entramos na loja.
Na semana seguinte, fomos almocar no shopping e passamos na frente de uma loja de brinquedos. Resolvi entrar. E comecei com o ualllll.
Tudo eu mostrava na loja para ela.
Puro suicidio.
Ate que o vendedor chegou:
posso ajudar?
Acho que sim. Essa loja aceita chupeta como pagamento?
ah, sim, aceitamos.
Beatriz abriu minha bolsa, sacou a chupeta com o paninho amarrado e soltou um "o paninho é meu, viu moço?" Deu o helicopetro da polly pocket para o vendedor. Foram embrulhar enquanto eu pagava.
Saimos da loja com o brinquedo e com a chupeta escondida na bolsa.
Morrendo de medo do que estava por vir.

Chegou a noite, beatriz colocou a polly pocket para dormir e dormiu A NOITE TODA.
Ja se passaram duas semanas do ocorrido.

Chegou na escola no dia seguinte e contou para os amigos que ela tinha vendido a chupeta dela. Simples assim.
E agora faz bullying com quem usa chupeta: "olha, mamãe, ela AINDA usa".

Minha menininha está crescendo.

sábado, 12 de novembro de 2016

D'us

Eu acredito em D'us.
Acredito que Ele nos ama e quer o nosso bem.
Acredito em anjos da guarda que estao sempre nos protegendo.
Acredito tambem no livre arbitrio, onde podemos guiar nossa vida e mudar fatos.
Mas acredito no destino. Acredito que temos que passar por algumas coisas. Acredito que algumas tragedias ja estao escritas no nosso destino. Precisamos passar pro provacoes, testes de fe. Precisamos amadurecer, endurecer, sofrer. E Ele, por mais que nos ame, nos coloca nessas situacoes para que possamos ter o aprendizado.
Creio que D'us, nesse momento esta chorando junto.
Uma leitora, amiga querida, acaba de perder seus bebes de forma tragica.
Quando li a mensagem no whatsapp, levei alguns minutos para processar. E ainda nao consegui acreditar que tudo isso de fato aconteceu, que esta acontecendo.
Nossa reacao inicial é perguntar o porque.
Porque, D'us, porque?
Porque isso aconteceu?
Porque nao foi diferente...
Porque não deu tempo...
E a dor permanece em nossos coracoes e a pergunta nunca sera respondida.
Talvez, a dor nunca va embora.
Hoje a dor é grande demais.... Esta tudo doido, confuso....
Mas o tempo vai curar as feridas.
As cicatrizes sempre estarao ali.
E nesse momento, reafirmo a minha fé de que D'us nos ama, nos deu a vida e nos ampara.
E em momentos como esse, peco que cada uma reze para os que sofrem. Rezemos para que as vontades Dele sejam sempre feitas.
Para que tenhamos resiliencia para nos curvar, mas sempre voltar inteiros, como um bambu.
Para que mesmo com nossos negativos, com nossas perdas, com os terriveis momentos, nossa vida seja permeada de momentos bons e alegres.
Que por maior que seja a dor, o amor seja ainda maior.
Que no final da vida, ao lado de nossa familia e amigos, cheguemos a conclusao de que foi uma vida bem vivida.




sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Medo da morte

Meninas,

o tempo é cruel.
Ele passa rapido demais quando nao estamos vendo, e devagar demais quando queremos, ja perceberam?
Tenho 35 anos. E tenho as duas avos.
Sei que poucas pessoas tem duas avos, mas sim, eu tenho! Uma de 94 anos e uma de 90 anos. A avo de 94 anos, tive uma relacao de mae e filha, pois morei com ela. Mas ela de 4 anos para ca tornou-se muito ausente, perdeu a memoria e de certa forma, nos deixou. Esta ali, mas não esta mais.
A de 90 anos, ainda trabalha. Advogada, articulada, cheia de energia.
Quem mais tem essa oportunidade? Pois e.
E ainda tem a Beatriz, que pode conviver com as duas.
E sei que eu deveria ser grata demais por isso, mas ha semanas eu nao faco outra coisa a nao ser chorar. Fazem dois meses que a minha avo de 90 anos internou por conta de uma gripe. Entra e sai do hospital, ela finalmente saiu e esta bem debilitada. Desanimada. Abatida.
E eu não sei como lidar com tudo isso.
Eu não sei como farei quando ela nos deixar. E sinto que o fio que nos une esta a cada dia mais fragil...
E eu queria poder parar o tempo...
Pedir mais dez anos...
Com a mesma vitalidade...

Queria que Beatriz ouvisse dela tudo o que ouvi.
Conhecesse tanta gente legal que ela me apresentou...
Visse o mundo com os olhos da minha avo.
Tivesse o orgulho que eu tenho de dizer que eu sou a neta da GUIOMAR.
Queria ainda poder viajar o mundo, como viajei com ela.
Queria ouvir ela perguntar: "e qual a sobremesa é diet para mim?"

Ela ainda esta aqui. Eu ainda posso ouvi-la dizer tudo isso. Mas estou com medo, medo, medo demais de ter que me despedir dela.
Eu ainda nao consegui aceitar a morte da minha tao amada tia, e agora minha avo tambem?
Minha avo Julieta me ensinou muito, muito mesmo. Mas os ensinamentos da minha avo Guiomar me formaram gente, humana, mulher. Ela me empoderou, ela me mostrou que eu posso, que eu consigo. Ela me ensinou a lidar com gente chata. Ela me ensinou a tratar todos sempre bem. Ela me ensinou a nunca criticar Beatriz. Ela me ensinou o poder que tem uma rede de mulheres. E agora ela esta sem vontade de viver.
Ela, quem me falava sobre a inteligencia emocional, sobre a neurolinguistica, politica, economia.

Preciso arrumar forcas para passar por isso...
Minha avo foi, é e sempre sera meu tripe.