terça-feira, 5 de abril de 2016

A chegada de João

Sempre coloco aqui as historias, e quase sempre sao contadas pelas esposas.
Mas o sonho da maternidade é compartilhado pelo pai, e hoje é o marido de Mari SSA quem vai contar a historia deles, o ponto de vista dele...
Deliciem-se!


Bom pessoal, olha eu aqui para escrever umas linhas sobre um momento da minha vida que serviu como aprendizado, crescimento e fortalecimento de uma união de 12 anos. Meu nome é Wagner, sou esposo de Mari (SSA), minha esposa é assídua de um Blog sobre tentantes, acho que não, não acho que essa seria a melhor definição para esse blog, a definição perfeita seria um blog sobre o sonho da maternidade. Eu conheci esse blog através da minha esposa num momento difícil das nossas vidas, e confesso que nunca abri o blog pra ler, mas acompanhei através dela inúmeras histórias, incluindo a da autora e criadora, a famosa Thaís, e aí abro um parêntese para falar poucas palavras dessa mulher fantástica, que soube dividir um momento da vida dela com tantas mulheres e maridos desse Brasil, parabéns Thaís, e muito obrigado!
A história começa quando temos um plano de aumentar a família, sim, aumentar a família, porque quando nos casamos já começamos a constituir uma família, mas chega um tempo que a vontade de aumentá-la torna-se forte e aí partimos para os planos.
Vou contar a minha história pelo meu ponto de vista, do marido, muitas vezes esquecido  nesse processo, muitas vezes como coadjuvante, se é que essa história tem principal e coadjuvante, na minha opinião não, o casal é o principal, sentimos juntos , sofremos juntos, ficamos ansiosos juntos , e comemoramos e crescemos juntos, pois assim tem que ser, não de outra forma. Em 2006 começamos nossa caminhada para tentar engravidar, e aí foi-se 1 ano de tentativas e nada, então decidimos fazer uma consulta e uma surpresa, o problema era comigo !!! Um espermograma alterado e eu ali num dilema, vamos decidir, “tomem um vinho em casa e decidam se irão fazer tratamento logo ou a cirurgia de correção da varicocele”, foi a primeira coisa que ouvimos do médico, ali comecei a perceber que não era tão fácil assim ter filhos como eu imaginava desde criança, teríamos que enfrentar algumas barreiras, ou naquele momento uma barreira, longe de imaginarmos que o caminho seria muito longo , que enfrentaríamos tantas coisas “ruins”, tanto desgaste emocional , tanta decepção.
Fomos para casa e ficamos tentando processar aquilo novo e obscuro, mas que ao mesmo tempo, parecia tão simples quando o médico me explicou que era uma pequena cirurgia e que aquilo podia ser a solução dos nossos problemas. Acabei demorando um pouco, mas fui procurar um urologista e este já de cara marcou a cirurgia de correção da varicocele, eu fui, fiz a cirurgia, 03 meses depois outro espermograma, já com uma melhora importante, mas ainda longe de ser o ideal, enfim, estaríamos diante de outra decisão, esperar mais, já que meu urologista falou que era só ter paciência, ou procurar uma clínica para tratamento de infertilidade? Decidimos a clínica. Chegamos lá na clínica tinham 03 pessoas na sala, se diziam médicas e começaram a olhar os exames e de lá já saímos com a definição de que faríamos primeiro uma inseminação artificial, poxa que legal, pensamos uma inseminação era um procedimento mais simples, mais barato e com a certeza de que sairíamos com sucesso. O primeiro fracasso começou aí nesse momento, o tão aguardado beta deu negativo, é isso mesmo, ouvimos da médica, vamos partir para outra inseminação artificial, ela decretou, mas não aceitamos, pois lendo sobre o assunto, percebi que meu espermograma estava longe de ter a qualidade necessária para realização desse tipo de tratamento, mas PORQUE a MÉDICA INDICOU? Começaram os meus questionamentos. Então dissemos a ela que gostaríamos de tentar logo a FIV, a mesma então concordou, começamos então uma nova expectativa. Fizemos todo o processo da FIV, muita furada de agulha, muito hormônio no corpo de sua esposa, uma TPM potencializada, um procedimento cirúrgico na jogada, e ai a expectativa da fertilização dos embriões. Ninguém avisava nada, os dias se passavam e nós não sabíamos como esses embriões estavam. Chega o dia que ligam para que fôssemos à clínica no horário marcado que seriam colocados os embriões, maravilha, agora é muito simples, coloca no útero e espera o crescimento, quase certo gravidez né isso? NÃO, não é nada disso, até colocar, enfrentaríamos uma falta de sensibilidade absurda da médica, um despreparo total do embriologista e de toda equipe da clínica. Já no centro cirúrgico, questionamos sobre os embriões e nosso medo na colocação de mais de 02 pelo risco de gravidez trigemelar, mas com a objetividade e frieza da médica esse medo foi logo trocado pelo sentimento de frustação e tristeza: “só serão colocados 2 embriões , de qualidade ruim e com muito pouca chance de desenvolver”, ficamos parados , eu imaginei logo, como essa médica pode pensar que é  Deus? Como ela pode ter essa pretensão de definir se vai dar certo ou não? Será que não era para estar otimista? Ela acertou, não deu certo mais uma vez! Então após o tão aguardado beta vir negativo, resolvemos dar um tempo, tinha sido muita emoção para o casal, muda seu cotidiano, muda seu emocional, e você como o marido, tem que estar ali para apoiar sua esposa, certo? Errado, nós maridos também sofremos um fracasso, alteramos nosso humor, nos sentimos derrotados, o efeito dos hormônios também reverberam em nós, mas como somos culturalmente preparados para sermos fortes, super- homens, esse sofrimento todo fica escondido, camuflado na carapaça de homem, mas um dia essa carapaça descasca, desmorona! Demos um tempo para recompor nossas emoções, meu sogro faleceu nesse período, nossa casa passava por um reforma não programada, minha sogra em depressão com a morte de meu sogro, ou seja , o mundo continuava acontecendo paralelo a esse processo de derrota grande.
Passou-se um tempo, que eu já nem sei quanto tempo foi, mas decidimos que mais uma vez tentaríamos uma nova FIV, dessa vez já com a certeza de que não seria na BAHIA. Tínhamos referência de uma clínica em Belo Horizonte, onde 01 amiga e uma conhecida fizeram e foram bem sucedidas, lá fomos nós para consulta, lá fomos nós para outra FIV. O processo dessa vez era metade on line metade presencial, tira-se folículos, espera-se fertilizar e mais uma vez a expectativa maluca de sabermos como estavam os embriões. Mari apresentou uma reação absurda aos hormônios, barriga aumentou de tamanho, dores fortes, realmente me preocupei de ter tido alguma complicação do procedimento de punção. Depois de ligar para clínica e praticamente exigir que minha esposa fosse atendida, fomos orientados a irmos pessoalmente para ouvir que era assim mesmo, essa era reação normal do tratamento, NORMAL?! Porque que de outras vezes isso não aconteceu? Enfim, o tão esperado telefonema da clinica aconteceu e tínhamos 2 embriões, que segundo o médico , eram nota 10, marcamos colocamos e voltamos para nossa cidade com a certeza de que dessa vez daria certo, olha nós em mais uma espera , mais expectativa, pronto, o beta deu 25, ligamos e recebemos um parabéns , “vocês estão grávidos ! “.PORQUE GRÁVIDOS COM UM BETA TÃO BAIXO ?Após uma semana, sangramento, beta negativo e só restou mais uma decepção, muitos questionamentos, dúvidas e para completar após 20 dias uma ligação da psicóloga da clínica oferecendo para fazer uma homenagem no FACEBOOK pela gravidez! Isso mesmo, gravidez, eles não se comunicam dentro da clínica não? Psicóloga? De onde surgiu? Quem falou que era necessário? Porque não deu certo com 2 embriões tão maravilhosos ? Depois descobrimos que esses embriões foram manipulados num processo de retirada de vacúolos que prejudicam o desenvolvimento. Mais um tempo de recomposição de tanta emoção e frustação.
Passado o período, período difícil, Mari ficou depressiva, e eu ali me segurando na vontade de ser Pai e de continuar, porque na minha cabeça não deveria ter intervalo, mas eu não sentia o efeito dos hormônios no corpo, foi um traço de egoísmo da minha parte, mas vem da minha personalidade, se quero uma coisa, faço até conseguir, mas como falei anteriormente, esse processo é do casal e não só meu, eu tinha que perceber o emocional dela também, entender, aceitar, dividir e crescer junto.
Fomos procurar mais uma vez outra profissional da nossa cidade, aquela sensação da comodidade de ser na nossa cidade junto com a esperança de que dessa vez daria certo, fomos procurar uma amiga minha que trabalha com reprodução humana. Mari procurou Yoga e acupuntura para suporte emocional. E vamos nós a mais um protocolo de tratamento, doses menores de hormônio, bom número de óvulos e mais uma vez nos deparamos com uma quantidade de 02 embriões e ainda assim para serem implantados num ciclo natural porque dessa vez alguém resolveu dosar os hormônios e viu que estavam muito elevados e que não seria possível uma implantação. Mas porque não dosaram esses hormônios nos outros tratamentos? Apareceu também mais uma novidade: terá que usar clexane durante a gravidez, porque não viram isso num exame já realizado há tanto tempo? Enfim, descongela-se os 02 únicos embriões, fomos colocados no centro cirúrgico antes da médica chegar e quando ela chegou , o susto e a pergunta : O que vocês estão fazendo aqui ? Parecia irreal, mas não tínhamos mais embrião, no descongelamento não resistiram e ninguém nos informou, simplesmente com a frieza de sempre nos colocaram num centro cirúrgico sem a menor sensibilidade. Porque isso? Alguém tem alguma explicação para não termos embriões bons? E agora? Não sabemos, não sei o que houve, essas eram as respostas. Vocês já pensaram em óvulo doação? Essa pergunta num momento de fracasso é um balde de gelo. Resolvemos emendar um novo tratamento, e lá fomos nós, tudo igual só que dessa vez iríamos esperar blastocisto e assim foi , mais uma vez 2 embriões chegaram a blastocisto, segundo disseram, ótimos! Mais 12 dias de expectativa e mais um negativo para a coleção de noticias ruim!
Paramos um tempo e fomos processar todo aquele percurso, passou-se um tempo e então resolvemos que faríamos uma nova tentativa, só que dessa vez seria em São Paulo, num centro de referência que seria o Huntington e com Dra Daniella Castellotti. E lá fomos nós para consulta e depois início do tratamento. O que mais me impressionou foi que depois de inúmeras tentativas em centros diferentes, nós percebemos que com Dra.Daniella as coisas foram bem diferentes. Conseguimos nos sentir seguros e acolhidos ao mesmo tempo, fato que nos fez sentir muito tranquilos e com isso pudemos aproveitar muito bem a cidade de São Paulo durante os 10 dias que ficamos até a implantação dos 2 embriões blastocistos na época de São João de 2015. Voltamos para Salvador com uma certeza: a de que tínhamos feito o melhor dessa vez e que o resultado seria uma consequência da vontade de Deus!! É exatamente essa sensação que buscamos ao início de qualquer tratamento médico quando ele é feito de uma forma profissional, ética e humana!

Hoje estamos aguardando a chegada de nosso filho tão esperado, João! A trajetória muitas vezes pode ser dolorosa, mas dela tiramos um aprendizado de vida, o importante é persistir no sonho!


João nasceu lindo e charmoso, com 4.80kgs e muita saude, na ultima sexta feira, dia 1/4/16. Papai e mamae estao babando, encantados com tanta gostosura. E a dinda virtual ta aqui, lamentando que Salvador seja tão distante de sp....