domingo, 27 de novembro de 2016

Carta para os gêmeos

Meninas,

como ja disse no post anterior, andei muito chateada pelos ultimos acontecimentos com minha amiga.
Com um pouco mais de tempo sentaremos para escrever, eu e ela, e vamos tentar contar tudo o que aconteceu.
Nesse momento, as feridas - fisicas e emocionais ainda estao abertas.
O tempo deverá cuidar de amenizar um pouco a dor, trazer bons momentos, e acima de tudo, aprender a viver com o que aconteceu.
Quero ainda discutir no blog bastante sobre um assunto pouco falado: o aborto.
Porque sofrer calada?
Porque escutar que "quando outro filho chegar, vc vai esquecer disso". Não, não vai. Uma mãe que perde um filho perde os sonhos sonhados para aquele filho.
O tempo ensina a LIDAR, a administrar esse sentimento.
Mas as cicatrizes sempre estarão no coração.
Quem quiser falar sobre o aborto, me procure por favor.
Quero fazer posts aqui.
Quero visitar esse local pouco falado.
Quero que cada uma que ja passou por essa dor possa encontrar espaço aqui.

Segue uma carta que minha amiga fez para seus meninos.

Eu nunca os vi meus filhos, mas os conheço e os senti como ninguém! São reais!
Vcs me tornaram mãe, me fizeram enxergar que sou capaz de gerar...fazer bracinhos e dedinhos!
Me deram mais anos com o vovô... sim meus amores, o vovô parou de fumar!
Fizeram o q eu achava impossível... Amar ainda mais o papai! Ele acorda mais lindo todos os dias! Não sei como ele faz isso... Um dia ainda descubro!
Aproximaram nossas famílias,  mostraram o quanto somos queridos por todos...
Uma passagem tão rápida, tão fugaz...mas tão importante, fizeram muito para muitos! Fizeram tanto por mim! Muito obrigada!
Inesquecíveis, reais, marcaram minha alma,  meu coração e meu corpo!
São nossos filhos queridos,  irmãos da melzinha para todo o sempre!
Faria td outra vez meninos,  mil x se necessário... para senti los em meu ventre!
Beijo da mamãe

Chupeta

Meninas,

Mil coisas acontecendo, a casa caindo e.... o impossivel aconteceu! BEATRIZ LARGOU A CHUPETA!!! (vendeu, como ela costuma explicar)

Vou contar como foi...

Primeiro, se lembram como ela foi um bebê dificil??? Chorava dia e noite, noite e dia, sem parar. Na primeira consulta, o pediatra recomendou fortemente o uso da chupeta...
Na segunda consulta, disse a ele que ela não pegava. Ele me deu uma lista de marcas e comprei todas as marcas que ele sugeriu.
Na terceira consulta, ela saiu com a chupeta.
Ufa.
Eu procurava o botão OFF, e quando não encontrava, as vezes a chupeta a fazia acalmar e dormir.
No primeiro mes, eu colocava paninhos com o meu cheiro na esperança de acalmar, aconchegar... mas na epoca nada dava certo. Affffff que fase.
Mas ela foi crescendo.
Quando passou a dormir a noite, ela acordava quando a chupeta caia.
Eu levantava, pluft colocava a chupeta na boca, e voltavamos todos a dormir.
Quando ela aprendeu a colocar a chupeta na boca, colocava 3, 4, 5 chupetas espalhadas no berço, para facilitar a busca a noite. Funcionava. Nessa epoca tambem, ela aprendeu a arremessar a chupeta. Quando queria que eu fosse, arremessava as 1823363 chupetas para fora do berço e então chorava, do tipo "não alcanço nenhuma, vem ca, vem".
Foi quando passei a amarrar as chupetas num paninho, na naninha.
Bia e sua naninha.
Alem do paninho, uma cordinha e um bichinho.
Paninho atoalhado branco, com o interior rosa liso em cetim e um cachorrinho. Chupeta pendurada na cordinha.
Na falta desse, comprei ursinhos, patos, outras cores... Tudo em vão. Naninhas sempre rosa, de cachorrinho. Ela recusava outros modelos. Pastei na rede alo bebe procurando a especifica. Bia atualmente tem 5 dessas.
Uma amiga uma vez me alertou sobre os dentes. Alem do ja conhecido dano que a chupeta causava, ela amarrada num pano era ainda pior. Mas a Bia acalmava. Ficava quieta. Era dependente dela. Só dormia com a nana.
Caiu? Nana.
Está no carro? Nana.
Chorou? Nana.
Até seu primeiro ano de vida, a nana era um artificio para dormir, para pegar no sono.
Conforme ela cresceu, passou a ser mais e mais dependente EMOCIONALMENTE dela.
Numa consulta de dois anos e pouco, o mesmo pediatra me falou: "chega dessa chupeta. Esta passando do ponto".
Foi no inicio do ano.
Preciso reduzir o uso da mesma.
Aham.... Facil... sqn.
Primeiro tentei reduzir o uso. Ela chorava.
Passei a diflamar a chupeta. Entortava os dentes. Quando viamos criancas banguelas na rua, apontava e dizia que era de tanto usar chupeta.
Ela é vaidosa, vai dar certo. Aham.... não funcionou.
Em agosto, decidi que a Disney seria o local perfeito para ela deixar a chupeta.
Daria para uma princesa.
Glamour puro!! Tudo para dar certo. No primeiro dia de parque, ofereci para a Cinderela, castelo, tudo perfeito.
Não quis.
Pro mickey?
Não
Pra Elsa?Não.
No terceiro dia de parque, ja descrente que ia conseguir, ela me aborda na loja: quero essa boneca da Elsa neném. Ah, mas custa muito caro. Só se vc deixar de usar a chupeta.
Não quero mais usar a chupeta mamãe.
Ualllll

Comprei a Elsinha. Sem a chupeta, ela não dormiu a tarde. Mas ficou bem.
Expliquei que a Elsinha estava feliz por ter sido escolhida, mas ela não queria mais que a Bia usasse chupeta. Funcionou, das 10 da manhã até as 19 da noite. Quando chegou o sono, sem soneca.... ela urrava no carro. Sim, no carro. Nem com o balanco do carro. Dei a maledeta.
Não ia ficar insistindo e melar a viagem.
Ficou com a chupeta e a Elsinha a viagem toda.
Agora, alem de carregar de um lado para o outro a nana com a chupeta, ela carregava a Elsinha tambem.
No voo de volta, ela dormiu quase que a viagem toda. Quando chegamos, descemos do avião e a ELSINHA FICOU!!!! Desfiz as malas, e passei dois dias inteiros revirando a casa para chegar a conclusao que a Elsinha tinha ficado no avião. Liguei na TAM e nada, ninguem sabe ninguem viu.
Expliquei para a Bia que a Elsinha tinha ficado chateada porque ela ainda usava chupeta, e por isso tinha ido embora.
#pessimamãe
#mejulguem

Na semana seguinte, a BFF dela, a Nicole, ia para a Disney. Pedi que me comprasse uma Elsinha.
Foi um parto achar uma Elsinha, porque era brinquedo exclusivo da casa da Elsa, disponivel apenas na casa dela na Epcot. Revirei o site, liguei no 0800, ngm podia me ajudar. Mas a mãe da Nicole comprou para mim e me mandou uma foto.
Mostrei a foto para a Bia e disse: a Elsinha me mandou um email. Disse que esta com saudades. Que vai voltar quando voce largar a chupeta. Excelente plano!!! Mas a mãe da Nicole colocou a Elsinha na mochila, e quando fui buscar a Bia na escola, ela me entregou a Elsinha numa mão... com a chupeta na outra.
Lascou-se.
Dai me falaram de uma fada, que vc pagava e vinha em casa....
De uma arvore de chupetas...
E fui falando tudo o que ouvia... e nada surtia efeito.
Ate que um dia. o marido pediu para busca-lo no metro.
Estava chovendo.
Fui e para não esperar em frente ao metro, paramos um pouco antes. Em frente a Ri Happy, ali na domingos de moraes. A loja é imensa, e tem umas quatro vitrines.
"ual, Bia. Voce pode entrar nessa loja e escolher O QUE QUISER. Essa loja aceita chupeta em pagamento. Nem todas lojas aceitam... Nossa, olha esse ponei? E essa baby alive! Ualllll"
O pai chegou, não entramos na loja.
Na semana seguinte, fomos almocar no shopping e passamos na frente de uma loja de brinquedos. Resolvi entrar. E comecei com o ualllll.
Tudo eu mostrava na loja para ela.
Puro suicidio.
Ate que o vendedor chegou:
posso ajudar?
Acho que sim. Essa loja aceita chupeta como pagamento?
ah, sim, aceitamos.
Beatriz abriu minha bolsa, sacou a chupeta com o paninho amarrado e soltou um "o paninho é meu, viu moço?" Deu o helicopetro da polly pocket para o vendedor. Foram embrulhar enquanto eu pagava.
Saimos da loja com o brinquedo e com a chupeta escondida na bolsa.
Morrendo de medo do que estava por vir.

Chegou a noite, beatriz colocou a polly pocket para dormir e dormiu A NOITE TODA.
Ja se passaram duas semanas do ocorrido.

Chegou na escola no dia seguinte e contou para os amigos que ela tinha vendido a chupeta dela. Simples assim.
E agora faz bullying com quem usa chupeta: "olha, mamãe, ela AINDA usa".

Minha menininha está crescendo.

sábado, 12 de novembro de 2016

D'us

Eu acredito em D'us.
Acredito que Ele nos ama e quer o nosso bem.
Acredito em anjos da guarda que estao sempre nos protegendo.
Acredito tambem no livre arbitrio, onde podemos guiar nossa vida e mudar fatos.
Mas acredito no destino. Acredito que temos que passar por algumas coisas. Acredito que algumas tragedias ja estao escritas no nosso destino. Precisamos passar pro provacoes, testes de fe. Precisamos amadurecer, endurecer, sofrer. E Ele, por mais que nos ame, nos coloca nessas situacoes para que possamos ter o aprendizado.
Creio que D'us, nesse momento esta chorando junto.
Uma leitora, amiga querida, acaba de perder seus bebes de forma tragica.
Quando li a mensagem no whatsapp, levei alguns minutos para processar. E ainda nao consegui acreditar que tudo isso de fato aconteceu, que esta acontecendo.
Nossa reacao inicial é perguntar o porque.
Porque, D'us, porque?
Porque isso aconteceu?
Porque nao foi diferente...
Porque não deu tempo...
E a dor permanece em nossos coracoes e a pergunta nunca sera respondida.
Talvez, a dor nunca va embora.
Hoje a dor é grande demais.... Esta tudo doido, confuso....
Mas o tempo vai curar as feridas.
As cicatrizes sempre estarao ali.
E nesse momento, reafirmo a minha fé de que D'us nos ama, nos deu a vida e nos ampara.
E em momentos como esse, peco que cada uma reze para os que sofrem. Rezemos para que as vontades Dele sejam sempre feitas.
Para que tenhamos resiliencia para nos curvar, mas sempre voltar inteiros, como um bambu.
Para que mesmo com nossos negativos, com nossas perdas, com os terriveis momentos, nossa vida seja permeada de momentos bons e alegres.
Que por maior que seja a dor, o amor seja ainda maior.
Que no final da vida, ao lado de nossa familia e amigos, cheguemos a conclusao de que foi uma vida bem vivida.




sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Medo da morte

Meninas,

o tempo é cruel.
Ele passa rapido demais quando nao estamos vendo, e devagar demais quando queremos, ja perceberam?
Tenho 35 anos. E tenho as duas avos.
Sei que poucas pessoas tem duas avos, mas sim, eu tenho! Uma de 94 anos e uma de 90 anos. A avo de 94 anos, tive uma relacao de mae e filha, pois morei com ela. Mas ela de 4 anos para ca tornou-se muito ausente, perdeu a memoria e de certa forma, nos deixou. Esta ali, mas não esta mais.
A de 90 anos, ainda trabalha. Advogada, articulada, cheia de energia.
Quem mais tem essa oportunidade? Pois e.
E ainda tem a Beatriz, que pode conviver com as duas.
E sei que eu deveria ser grata demais por isso, mas ha semanas eu nao faco outra coisa a nao ser chorar. Fazem dois meses que a minha avo de 90 anos internou por conta de uma gripe. Entra e sai do hospital, ela finalmente saiu e esta bem debilitada. Desanimada. Abatida.
E eu não sei como lidar com tudo isso.
Eu não sei como farei quando ela nos deixar. E sinto que o fio que nos une esta a cada dia mais fragil...
E eu queria poder parar o tempo...
Pedir mais dez anos...
Com a mesma vitalidade...

Queria que Beatriz ouvisse dela tudo o que ouvi.
Conhecesse tanta gente legal que ela me apresentou...
Visse o mundo com os olhos da minha avo.
Tivesse o orgulho que eu tenho de dizer que eu sou a neta da GUIOMAR.
Queria ainda poder viajar o mundo, como viajei com ela.
Queria ouvir ela perguntar: "e qual a sobremesa é diet para mim?"

Ela ainda esta aqui. Eu ainda posso ouvi-la dizer tudo isso. Mas estou com medo, medo, medo demais de ter que me despedir dela.
Eu ainda nao consegui aceitar a morte da minha tao amada tia, e agora minha avo tambem?
Minha avo Julieta me ensinou muito, muito mesmo. Mas os ensinamentos da minha avo Guiomar me formaram gente, humana, mulher. Ela me empoderou, ela me mostrou que eu posso, que eu consigo. Ela me ensinou a lidar com gente chata. Ela me ensinou a tratar todos sempre bem. Ela me ensinou a nunca criticar Beatriz. Ela me ensinou o poder que tem uma rede de mulheres. E agora ela esta sem vontade de viver.
Ela, quem me falava sobre a inteligencia emocional, sobre a neurolinguistica, politica, economia.

Preciso arrumar forcas para passar por isso...
Minha avo foi, é e sempre sera meu tripe.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

ABrELA

Meninas, ha algum tempo atras, postei sobre um moco chamado Edson.

Hoje, atraves de uma leitora, descobri que ele não é doente coisa nenhuma.

G
O
L
P
E

Ele vai caminhando lentamente, usa roupas especiais, fala devagar, o treco é punk.
Vejam esse post aqui:
https://umdiamae.blogspot.com.br/2014/08/edson.html?showComment=1476192417262#c2357462163522008589

Bem, apos a denuncia da Aninha, resolvi eu mesma ligar para a tal ABrELA.
http://www.abrela.org.br

E a moça me interrompeu, que ja conhece o caso, que ele não tem a doenca coisa alguma.

Em primeiro, veio o serginho malandro na minha cabeca.
Me senti burra
idiota
enganada

Depois, ponderei e pensei: so ajudei.
So desejei o bem.
Eu rezei por ele.

E agora, depois de ponderar mais, concluo que:

QUER FAZER UMA AJUDA?
PROCURE UMA INSTITUICAO.

QUER DOAR?
PROCURE A ASSOCIACAO, A ONG, O QUE FOR.

Nao vou deixar de acreditar no ser humano por pessoas despreziveis como ele.
Nao vamos deixar de ajudar porque uma pessoa se sente mais esperta que os outros.

A ele, infelizmente, so desejo que tudo o que ele diz se torne realidade: que ele tenha a esclerose da forma mais completa que ele possa sentir. Que dessa, ou da forma que D'us achar melhor, ele nunca mais zombe de ninguem.


sábado, 20 de agosto de 2016

Máscaras

tem 13 mensagens para serem respondidas... e eu acabei de apagar um post meu, no meu fb porque uma amiga achou que meu desabafo era para ela. Aiai...
Ja fazem tres semanas que penso muito a respeito disso... e quero falar com vcs sobre as mascaras.

A sociedade, o outro, e nos mesmos criamos mascaras. Essas mascaras escondem quem nos realmente somos. mascaras de boazinhas que escondem sentimentos ruins. Mascaras de perfeicao, que escondem nossos defeitos, e mascaras de pessoas ruins, que escondem a bondade. Sim, porque as vezes o outro vai la e pendura a mascara no seu pescoco, e vc sem perceber, passa a vida circulando com aquele rotulo, aquela mascara.
...
Na escola, quando houve todo o papo de fusao, um casal foi rotulado. E ja se vao seis meses que eles circulam com aquele rotulo ruim...
Mas uma professora ficou doente e precisou de ajuda.
E quem ajudou, sem medir esforcos???
O casal... presente em todos os momentos.
Quem amparou aquela familia?
A outra mae, escanteada. A quem meses atras a altruista me alertou que era uma pessoa falsa.
E sabe quem mostrou tudo isso??
NINGUEM.
Os bonzoes ficaram todos quietos, segurando suas mascaras, com medo delas cairem. Viraram os holofotes para o outro lado.
Essa foi uma situacao... mas quantas dessa ainda teremos que vivenciar para ver que nem sempre as coisas sao o que parecem??
Quando afinal vamos assumir que as pessoas nao sao binarias?
Nao sao sempre boas nem sempre mas!
Quando deixaremos de aceitar esses rotulos?
...
Um casal que se casou ha uns tres anos tentou ter filhos apos um ano de casamento. Levaram 8 meses para engravidar. Envergonhada da sua imperfeicao, mesmo tendo acompanhado a minha dor e caminhada, ela nunca me transpareceu nada. Acabei acompanhando atraves do marido, amigo do meu marido.
Quando ela enfim engravidou, admitiu para mim que foram meses interminaveis. 8 lutos que doeram muito nela. Sim cada um sabe onde a dor doi ne?
Sei que ela felizmente teve uma gestacao abencoada e um parto tranquilo mas o bebe precisa ser operado devido a uma ma formacao.
OBVIOOOO que eu nao sei de nada.
De novo, o marido contou para o marido.
Mas vamos combinar: que barra!!!
nao desejo para ninguem um bebe com ma formacao!
Sequer sei de muitos detalhes, sei apenas o diz que me diz. Mas dessa historia toda, soube que essa mae nao esta sabendo administrar toda a situacao e esta depressiva, a base de medicamentos. E rodando em medicos com o bebe, como deve ser. Espero que ele em breve faca a operacao e siga uma vida tranquila, saudavel e feliz.
Mas o que a historia dessa mae tem a ver com a do casal acima?
a mascara.
Essa mae se tornou refem da mascara dela.
Para nao se expor, ela colocou sua mascara de perfeicao, e se isolou. A quem ela podera confidenciar? Como passar por uma dor tao grande sem dividir essa dor?
Deve ser uma dor imensa!
Um medo da operacao nao dar certo.
Uma culpa de "nao gestei direito".
E mesmo sem haver razao para tais culpas e medos, e cobrancas, elas existem, principalmente num coracao de uma mae. Mas essa mae esta presa sob a mascara de "sou perfeita, minha vida e perfeita" (a mesma mascara que minha bff insiste em ainda exibir).
E agora coloco para vcs:
ate quando se esconder sob mascaras?
ate quando ser refem delas?
Porque temos tanto medo de viver nossos medos, de assumir nossas imperfeicoes? Sao elas que nos tornam humanos. Ninguem é perfeito... Ninguem é sempre bom, sempre certo.

Sigamos sendo verdadeiros conosco, com nossa realidade, com nossos sentimentos. Porque a mascara vai cair um dia. É so questão de tempo.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Juntos pelo Leo

Meninas,
Sempre contamos aqui historias de superacao...
E a que se segue não é diferente. Ela não foi treinante. Mas a vida apresentou outras dificuldades, e ela segue guerreira lutando... assim como todas nós.
E assim como lutamos pela vida em nossa barriga, ela também luta pela vida...

Dia dezessete de Janeiro de 2015 nascia meu maior sonho, prematuramente, nascia também em mim uma força, uma garra que talvez somente o amor saiba explicar.

Em números, pois os médicos adoram isso, algo em torno de 700 gramas, um pouco mais  de 20 cm de comprimento, era simplesmente a 25 semana de gestação.... mas, uma vontade de viver do tamanho do Universo.

A partir deste dia nascia a HISTÓRIA DO LÉO. Não é uma simples história, ela é cheia de superação, vontade de viver e transformação das pessoas, uma historia de vida, Fé e muito amor!

E para contar esta história vou dividi-la em 3 partes: A Gestação, Os dias na UTI Neonatal e Presente e Futuro

A Gestação...

Posso começar dizendo que foi muito desejada, sempre quisemos ter filhos e quando descobrimos a gravidez e logo que era um menino, foi motivo de muita felicidade.

Todos aqueles planos que todas as pessoas fazem estavam sendo construídos diariamente por mim e pelo Rodrigo, porém, na 20 semana de gestação em um ultrassom de rotina descobriram uma má formação no feto, chamado atresia da traqueia (uma obstrução das vias aéreas que impede a respiração), acho que é um dos piores diagnósticos que poderia existir.

O médico nos explicou que esta má formação leva o feto ao óbito antes do nascimento e os que conseguem nascer morrem logo após o parto por não conseguirem respirar... Foram dias e noites pensando sobre o assunto e tentando desconstruir todo aquele sonho que por 20 semanas  construímos, mas, não sei... aquela tal força que cito no inicio me fez ir atrás de alguma solução, e descobrimos um médico que havia feito 15 dias antes do diagnostico do Léo uma cirurgia inédita no mundo, uma traqueoplastia com o bebê ainda no útero da mãe, e fomos atrás desta possibilidade.

Com 24 semanas conseguimos fazer a tão sonhada e desejada cirurgia e foi um SUCESSO, porém, fomos surpreendidos por uma infecção em mim o que antecipou o nascimento do Léo, com 25 semanas as 3:05 da manhã nascia a minha maior lição de vida.



Os dias na UTI Neonatal

Não é nada fácil passar por uma UTI, ainda mais quando você só vê aquelas vidinhas que acabaram de iniciar sua trajetória, você ainda recém operada, aquele monte de hormônios... Aos poucos a gente acaba se acostumando, aqueles apitos e toda a tensão daquela atmosfera passam a ser  sua nova rotina, e as noticias de que tudo está bem caem como música nos ouvidos...

Não foi só noticia boa... infelizmente.... após 1 mês de vida, uma doença chamada enterocolite necrosante (necrose no intestino) nos pegou desprevenidos... sim... desprevenidos, pois naquela altura acreditávamos que só estávamos esperando o Léo engordar e crescer para irmos para a casa, mal sabíamos que isso poderia acontecer...

De repente ao voltar do rápido almoço, entro na UTI e estavam levando meu filho as pressas para uma cirurgia de emergência, e lá na porta daquele centro cirúrgico nós ficamos horas aguardando por alguma noticia. E quando enfim a médica abre a porta e nos dá a pior noticia de todas... Fizemos o que podíamos fazer, estava tudo muito ruim, ele desestabilizou e precisamos parar... ele está vivo, muito grave, não deve resistir as próximas 24 horas, lá fomos nós para as duras 24 horas, com muita Fé superamos as 24, 36, 48, 72, ... horas e após uma semana o médico resolveu abrir ele novamente e ver o que ainda podia ser feito, novamente estávamos nós naquela porta metálica fria esperando por noticias.

E quando ouço aquela voz forte chamar meu nome: Aline!

Sai correndo e fui recebida com um forte abraço do médico que me disse: Filha, reza! Agora está muito difícil, ele está muito grave e não deve passar das próximas 24 horas... e eu respondi:

- Dificil não é impossível, para Deus nada é impossível... ele nasceu! Teve o pior diagnostico e nasceu... Mas ele não quis me dar esperanças e me abraçou novamente, e lá voltamos para a UTI... Parada cardíaca, outras complicações surgiam dia a dia, mas PASSAMOS novamente das 24 horas e passamos a ouvir diariamente, está grave, muito grave, agora gravíssimo... Para mim grave era grave, mas descobri na UTI que se tem níveis de gravidade...

Um longo mês se passou, Léo continuava sua dura luta com muita garra, eu ficava na UTI das 7:00 as 23h, meu marido chegava do trabalho e ficava comigo, numa noite ele resolveu ir para a casa mais cedo para cuidar do nosso cachorro e sofreu um assalto e foi baleado no pescoço.

E eu, que já passava o dia na UTI Neonatal comecei a me dividir em duas UTI’s, agora eram Pai e Filho em UTI,. Rô chegou ficar mais grave que o Léo, ficou 5 dias em coma. Era eu ali, agora sozinha naquela porta fria do centro cirúrgico horas esperando por noticias do Pai para correr ver o filho, mas nunca deixei de anima-los...

Eu chegava na UTI do Rodrigo e dizia, (com ele em coma mesmo,) Ro, o Léo está lindo, está crescendo, você não vai acreditar quando ver ele...

Ia para a UTI Neo e dizia para o Léo: 
Filho, Papai está morrendo de saudade, não vê a hora de ver você eu contei para ele desta ultima evolução ele ficou muito feliz.

Assim os dias foram passando....

Na UTI Neo nunca me davam esperanças, talvez, porque o Léo fosse muito pequeno (900g), mas tratavam como se ele fosse morrer, eu não suportava ver aquilo, para mim não importava quanto tempo íamos viver juntos eu só queria viver bem com ele... mas médico é medico, querem colocar a gente sempre em orbita, a única solução dita para o caso do Léo seria um transplante de intestino, que nao é feito no Brasil e ele precisaria ter o peso de 10kg, eu como mãe que sou achei SUPER VIÁVEL, faltavam apenas 9 kilos e 100 gramas... e comecei então a me informar sobre o tal transplante e descobri que custava milhões, mas o médico fez questão de esfregar isso na minha cara e disse:

Aline, você sabe quanto custa? Você não vai ter dinheiro para fazer o transplante... não é só o transplante, você tem que mudar de pais, se manter lá, tem os extras, etc. Aquilo que parecia um balde de água fria foi exatamente o contrário, foi a força que precisava para continuar lutando...

Quando finalmente o Rodrigo acordou do coma, ele me chamou e disse:

-Amor, eu vi eu você e o Leo no colo no aeroporto ele estava grandinho e tinha muuuuitas pessoas dando tchau para a gente.

Eu pensei, vamos fazer uma campanha... vamos deixar o orgulho, a vaidade, a privacidade e vamos atrás e então surgiu a campanha Juntos Pelo Léo.

Para finalizar esta parte, meu marido ficou ótimo sem sequelas e o Léo foi crescendo e engordando aos pouquinhos.



Presente e futuro

Não estávamos feliz no hospital que estávamos , não é fácil você ser a única pessoa otimista, a única a enxergar a vida no seu filho, os dias eram longos e tensos.

Então transferimos o Léo de hospital e uma nova equipe médica que posso afirmar com toda a certeza que tem a melhor energia possível, enxergou no Léo aquilo que eu tanto tentei mostrar, VIDA!

Claro que não foi fácil, passamos por mais cirurgias, no total (10 cirurgias) , mas eles acreditavam no potencial do Léo, e aquela historia de que o Léo nunca sairia do hospital começou a ser um passado... e depois de 9 meses dentro da UTI o Léo foi para o quarto, tudo mudou no quarto, tínhamos visita, podíamos dormir juntos na mesma cama, podia trocar de roupa varias vezes ao dia, ali, pude ser mãe um pouco... e depois de alguns meses (11 meses) deixamos o hospital para a nossa casa.

Aquele sonho que construímos, desconstuimos e construímos novamente de um novo jeito chegou!

Trouxemos o Léo para a casa e cá estamos por 7 lindos meses, vivendo e dando ao Léo a normalidade de uma vida de um bebê.

Sabemos que não podemos ficar assim por muito tempo, durmo e acordo vivendo somente o agora.

A minha melhor resposta para o futuro é EU NÃO SEI! 

Aprendi neste tempo que não temos controle de nada, que a vida é uma caixinha de surpresa, que dela só podemos decidir de que forma vamos dançar... Rindo ou chorando... 

Estamos ainda escrevendo nossa história... E agora você também faz parte dela ❤️

Beijos

Aline 

https://www.youtube.com/watch?v=VaTnWdR_33A

#juntospeloleo  #leoquerviver

Ajude como puder!

Segue a conta da campanha:
Banco Itau
AG 6241
Cc 05482-1 
Aline Bertolozzi 
Cpf 289.298.628-10 



Esse é o Leo. Como ajudar? Orem por ele. Depositem qualquer quantia. Vamos viralisar essa mensagem... essa hashtag; Vamos bolar uma vakinha... falar com medicos, não sei. Mas tenho a certeza que ele vai conseguir. <3

sexta-feira, 17 de junho de 2016

kalunga

Fica a reflexao:

entrei na kalunga com pressa, para comprar um cartucho de tinta para a impressora de casa. Ao lado do cartucho, massinhas de modelar.
beatriz pegou uma massinha rosa e seguimos para o caixa.

Na kalunga a fila do caixa é um estreito de bugingangas. Bia segurando sua massinha, eu meu cartucho e uma mae que seguia com seus dois filhos estava parando nas bugingangas. Ela resolveu entao que me deixaria passar, ja que eu estava decidida e ela nao. Ela puxava um carrinho, e estava com a filha dela de 9 anos com outro carrinho.
gentilmente ela foi para a esquerda e empurrou o carrinho para que eu passasse no centro.
A filha ficou na direita com o outro carrinho e de fato, so se eu pulasse a menina eu passava.
"vc quer que a moca faca ziguezague?? Tira seu carrinho para ela passar, fulana. Voce esta atrapalhando as pessoas"

Embora ela estivesse dando o bom exemplo de me passar na frente, falou de forma pesada com a filha. Mostrou o quanto a filha estava errada, enquanto ela poderia ter mostrado de outra forma.

Decididas, elas seguiram para a fila e pararam atras de mim no momento em que a Beatriz resolveu trocar sua preciosa massinha rosa por um incrivel pacote de mms.

"filha, vc nao vai levar os dois. se quer os mms, deixa a massinha na prateleira"
Beatriz fez a troca dela, e logo a menina de tras pediu um chocolate para a mae, que respondeu em alto e bom tom:

'DOCES E CHOCOLATES, SO AOS FINAIS DE SEMANA, FULANA"

Suspirei e pensei o quanto ela estava certa, e enquanto eu ponderava a possibilidade de implementar uma regra dessas, a menina foi, novamente repreendida duramente pela mae.

E eu sai da kalunga com uma menina de dois anos segurando um pacote de mms, em pleno dia de semana, mas me sentindo uma boa mae. Melhor liberar o doce e cuidar do EMOCIONAL da minha filha do que proporcionar uma alimentacao equilibrada, doces somente finais de semana e pequenas doses de baixa autoestima diarias.




Amigos da escola

eu precisooooo escrever!!!!!
De uns tempos para ca, vejo o blog como uma legado que deixarei para a Beatriz. E hoje, esse ultimo mes aconteceram fatos que vao formar a personalidade e infuenciar no comportamento dela.
...
No ano passado, ela tinha dois melhores amigos: Felipe e Sophia. No inicio desse ano, a sala foi dividida, entraram novos alunos e ela foi separada dos dois melhores amigos de forma cruel e avassaladora. Pelo menos, na epoca, fio assim que vi. Sofri por isso. Mas a professora me prometeu que seria bom.
No inicio ela procurava bastante pela Sophia, mas logo ela fez nova amizade. E dei razao a professora. E se tornou tao amiga da Nicole que chegou a me preocupar.
Brincavam de Ana e Elsa.
Bia atendia por Elsa e Nicole atendia por Ana.
Bia apontava para a imagem da frozen e dizia: "eu e nick"
No cafe da manha, levava um pote com duas bolachas. Uma para mim, outra para Nick. Faco gosto pela amizade das duas, os pais dela sao muito boa gente. Mas comecei a oferecer para ela levar mais bolachas para a escola. "leva para a Lelinha, ela é sua amiga tambem"
"nao, a nicole é a minha amiga"
E por muitas manhas, colocava mais bolachas no pote, mais adesivos na mochila, para que ela desse os tesouros para a Nicole e para outros amigos tambem.
Cheguei inclusive a mencionar com a coordenadora e com a mae da Nicole a minha preocupacao com essa exclusividade.
Tudo vinha acontecendo bem, ate que a Beatriz comecou a ter mudancas de comportamento. Queria dormir com a gente, passou a exigir mais a minha presenca. Passou a resistir de ir para a escola, e a chorar quando ia a deixar.
No ano passado, na adaptacao, nao houve resistencia.
No inicio do ano tambem nao.
Ela ja estava adaptada e acostumada. Gosta das professoras e todos os funcionarios da escola.
Dai me lembrei do que havia lido: a fase do terrible two. Terrible mesmo.
Medindo forcas, testando limites. De duas semanas para ca, como os livros alertavam, a chavinha mexeu. Ela mudou bruscamente de comportamento.
...
As salas tiveram suas reunioes semestrais com os professores, mas a nossa sala nao teve. Nossa professora ficou um tempo afastada com dor nas costas e com isso nossa reuniao foi remarcada e aconteceu somente hoje, no final do semestre.
Comentei com a professora que essas semanas estavam sendo crueis e tals, e na conversa ela me falou toda contente que a be estava agora se envolvendo com outras criancas.
Nicole, que vinha sendo a BFF dela, se cansou.
"nicole esta procurando sentar distante da bia, evita ela, e entao agora a Beatriz esta brincando com as outras criancas"
Sim, é otimo.
Fico realmente feliz que ela esteja brincando com outras criancas.
Mas entao notei que a fase que entendi que fosse terrible two, foi quando ela experimentou pela primeira vez a rejeicao. Foi Beatriz sendo evitada. Foi Beatriz tendo suas vontades, seus desejos frustrados.
E antes que achem que a Nicole esta errada... ambas tem dois ano de idade. Por N vezes Beatriz empurrou amiguinhas que ela nao queria tambem. Por N vezes Beatriz disse que essa nao é a minha amiga, eu nao quero brincar com ela, eu nao quero ela.
Nao possamos intervir. É a personalidade de ambas que esta se moldando se formando, se mostrando. E ambas tem o direito de se expressarem.
Mas minha filha tao amada nao soube me dizer que foi rejeitada. E eu, embora sempre tao atenta, nao soube diagnosticar.
Sai da reuniao com mil coisas na cabeca, mas a certeza de que com muito amor, e muita consciencia, vou formar um individuo capaz de sentir empatia. Capaz de ser amigavel, de fazer amizades verdadeiras, de cultiva-las, e saber dividi-las.
Para as ferias, minha licao de casa sera: trabalhar a diversidade de amigos. Alias, sugestao da professora é: "nao use mais a palavra amigo". Para ela, amigo é so uma, a BFF. Procure palavras mais amenas.
Encontrei-a hoje, quando fui busca-la, no brinquedao da escola.
Ela, Sophia e Felipe, sentados na casinha em cima do escorregador. Aos dois anos, ela voltou a origem, aos amigos queridos, e teve a alegria de ser recebida por eles com os bracos abertos.

sábado, 28 de maio de 2016

Programas no feriado

Meninas,
Gracas a D'us muitas das leitoras que aqui passaram ja sao maes, entao vou fazer uma lista rapida de programas bacanas com as criancas aqui em SP.
Tem varias pecas em cartaz como "pedro e o lobo", " tres porquinhos", chapeuzinho vermelho".
Fomos na peca "o jacare" - Teatro honda hall - e que tem curtissima temporada. Ah, e é uma das pecas mas em conta, e a Beatriz amouuuuu.
Tbm fomos no teatro da "galinha pintadinha" no teatro net e a Bia gostou muito. So achei um programa caro, na hipotese dos dois pais pagarem inteira fica bem salgado.
Ouvi falar da galeria do Gustavo Rosa. Ainda nao fui mas quero levar.
Museu catavento cultural ja falei varias vezes aqui, e volto a falar: vale MUITO a pena.
Zoologico e simba safari, deixem para ir quando o tempo esquentar um pouco.
O mesmo para a cia dos bichos, que adorei, mas tambem é um programa caro se os dois pais pagarem inteira.

Tem o borboletario aguias da serra, mas é longe e ainda nao fui. E precisa de tempo ensolarado e seco para ver as borboletas.

No cinema esta passando Peppa pig num horario tenebroso (13:30), mas vamos ver, obvio. Be tbm ja viu zootopia, que adorou. Aguardamos o "encontrando Dory" lancar agora nas ferias.

Com as ferias, os shopping sempre tem atracoes que divertem e entretem as criancas entao sempre entrem nos sites para ver.

O tempo aqui esta encruado no feriado, mas parques sempre sao boas atracoes. O parque do povo tem um teatro anexo (na primeira entrada apos o milk mellow) com pecas legais e gratuitas, alem de um pula pula tambem gratuito. E o parquinho de la é todo novinho, piso antiimpacto, uma graca.
O do ibirapuera é mais roots, mas tem zilhoes de brinquedos entao por mais cheio que esteja sempre tem balanca disponivel, o que nem sempre acontece no parque do povo.

Esses programas sao os que estamos fazendo com a Bia, que agora esta com 2anos e 5 meses.