sábado, 20 de agosto de 2016

Máscaras

tem 13 mensagens para serem respondidas... e eu acabei de apagar um post meu, no meu fb porque uma amiga achou que meu desabafo era para ela. Aiai...
Ja fazem tres semanas que penso muito a respeito disso... e quero falar com vcs sobre as mascaras.

A sociedade, o outro, e nos mesmos criamos mascaras. Essas mascaras escondem quem nos realmente somos. mascaras de boazinhas que escondem sentimentos ruins. Mascaras de perfeicao, que escondem nossos defeitos, e mascaras de pessoas ruins, que escondem a bondade. Sim, porque as vezes o outro vai la e pendura a mascara no seu pescoco, e vc sem perceber, passa a vida circulando com aquele rotulo, aquela mascara.
...
Na escola, quando houve todo o papo de fusao, um casal foi rotulado. E ja se vao seis meses que eles circulam com aquele rotulo ruim...
Mas uma professora ficou doente e precisou de ajuda.
E quem ajudou, sem medir esforcos???
O casal... presente em todos os momentos.
Quem amparou aquela familia?
A outra mae, escanteada. A quem meses atras a altruista me alertou que era uma pessoa falsa.
E sabe quem mostrou tudo isso??
NINGUEM.
Os bonzoes ficaram todos quietos, segurando suas mascaras, com medo delas cairem. Viraram os holofotes para o outro lado.
Essa foi uma situacao... mas quantas dessa ainda teremos que vivenciar para ver que nem sempre as coisas sao o que parecem??
Quando afinal vamos assumir que as pessoas nao sao binarias?
Nao sao sempre boas nem sempre mas!
Quando deixaremos de aceitar esses rotulos?
...
Um casal que se casou ha uns tres anos tentou ter filhos apos um ano de casamento. Levaram 8 meses para engravidar. Envergonhada da sua imperfeicao, mesmo tendo acompanhado a minha dor e caminhada, ela nunca me transpareceu nada. Acabei acompanhando atraves do marido, amigo do meu marido.
Quando ela enfim engravidou, admitiu para mim que foram meses interminaveis. 8 lutos que doeram muito nela. Sim cada um sabe onde a dor doi ne?
Sei que ela felizmente teve uma gestacao abencoada e um parto tranquilo mas o bebe precisa ser operado devido a uma ma formacao.
OBVIOOOO que eu nao sei de nada.
De novo, o marido contou para o marido.
Mas vamos combinar: que barra!!!
nao desejo para ninguem um bebe com ma formacao!
Sequer sei de muitos detalhes, sei apenas o diz que me diz. Mas dessa historia toda, soube que essa mae nao esta sabendo administrar toda a situacao e esta depressiva, a base de medicamentos. E rodando em medicos com o bebe, como deve ser. Espero que ele em breve faca a operacao e siga uma vida tranquila, saudavel e feliz.
Mas o que a historia dessa mae tem a ver com a do casal acima?
a mascara.
Essa mae se tornou refem da mascara dela.
Para nao se expor, ela colocou sua mascara de perfeicao, e se isolou. A quem ela podera confidenciar? Como passar por uma dor tao grande sem dividir essa dor?
Deve ser uma dor imensa!
Um medo da operacao nao dar certo.
Uma culpa de "nao gestei direito".
E mesmo sem haver razao para tais culpas e medos, e cobrancas, elas existem, principalmente num coracao de uma mae. Mas essa mae esta presa sob a mascara de "sou perfeita, minha vida e perfeita" (a mesma mascara que minha bff insiste em ainda exibir).
E agora coloco para vcs:
ate quando se esconder sob mascaras?
ate quando ser refem delas?
Porque temos tanto medo de viver nossos medos, de assumir nossas imperfeicoes? Sao elas que nos tornam humanos. Ninguem é perfeito... Ninguem é sempre bom, sempre certo.

Sigamos sendo verdadeiros conosco, com nossa realidade, com nossos sentimentos. Porque a mascara vai cair um dia. É so questão de tempo.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Juntos pelo Leo

Meninas,
Sempre contamos aqui historias de superacao...
E a que se segue não é diferente. Ela não foi treinante. Mas a vida apresentou outras dificuldades, e ela segue guerreira lutando... assim como todas nós.
E assim como lutamos pela vida em nossa barriga, ela também luta pela vida...

Dia dezessete de Janeiro de 2015 nascia meu maior sonho, prematuramente, nascia também em mim uma força, uma garra que talvez somente o amor saiba explicar.

Em números, pois os médicos adoram isso, algo em torno de 700 gramas, um pouco mais  de 20 cm de comprimento, era simplesmente a 25 semana de gestação.... mas, uma vontade de viver do tamanho do Universo.

A partir deste dia nascia a HISTÓRIA DO LÉO. Não é uma simples história, ela é cheia de superação, vontade de viver e transformação das pessoas, uma historia de vida, Fé e muito amor!

E para contar esta história vou dividi-la em 3 partes: A Gestação, Os dias na UTI Neonatal e Presente e Futuro

A Gestação...

Posso começar dizendo que foi muito desejada, sempre quisemos ter filhos e quando descobrimos a gravidez e logo que era um menino, foi motivo de muita felicidade.

Todos aqueles planos que todas as pessoas fazem estavam sendo construídos diariamente por mim e pelo Rodrigo, porém, na 20 semana de gestação em um ultrassom de rotina descobriram uma má formação no feto, chamado atresia da traqueia (uma obstrução das vias aéreas que impede a respiração), acho que é um dos piores diagnósticos que poderia existir.

O médico nos explicou que esta má formação leva o feto ao óbito antes do nascimento e os que conseguem nascer morrem logo após o parto por não conseguirem respirar... Foram dias e noites pensando sobre o assunto e tentando desconstruir todo aquele sonho que por 20 semanas  construímos, mas, não sei... aquela tal força que cito no inicio me fez ir atrás de alguma solução, e descobrimos um médico que havia feito 15 dias antes do diagnostico do Léo uma cirurgia inédita no mundo, uma traqueoplastia com o bebê ainda no útero da mãe, e fomos atrás desta possibilidade.

Com 24 semanas conseguimos fazer a tão sonhada e desejada cirurgia e foi um SUCESSO, porém, fomos surpreendidos por uma infecção em mim o que antecipou o nascimento do Léo, com 25 semanas as 3:05 da manhã nascia a minha maior lição de vida.



Os dias na UTI Neonatal

Não é nada fácil passar por uma UTI, ainda mais quando você só vê aquelas vidinhas que acabaram de iniciar sua trajetória, você ainda recém operada, aquele monte de hormônios... Aos poucos a gente acaba se acostumando, aqueles apitos e toda a tensão daquela atmosfera passam a ser  sua nova rotina, e as noticias de que tudo está bem caem como música nos ouvidos...

Não foi só noticia boa... infelizmente.... após 1 mês de vida, uma doença chamada enterocolite necrosante (necrose no intestino) nos pegou desprevenidos... sim... desprevenidos, pois naquela altura acreditávamos que só estávamos esperando o Léo engordar e crescer para irmos para a casa, mal sabíamos que isso poderia acontecer...

De repente ao voltar do rápido almoço, entro na UTI e estavam levando meu filho as pressas para uma cirurgia de emergência, e lá na porta daquele centro cirúrgico nós ficamos horas aguardando por alguma noticia. E quando enfim a médica abre a porta e nos dá a pior noticia de todas... Fizemos o que podíamos fazer, estava tudo muito ruim, ele desestabilizou e precisamos parar... ele está vivo, muito grave, não deve resistir as próximas 24 horas, lá fomos nós para as duras 24 horas, com muita Fé superamos as 24, 36, 48, 72, ... horas e após uma semana o médico resolveu abrir ele novamente e ver o que ainda podia ser feito, novamente estávamos nós naquela porta metálica fria esperando por noticias.

E quando ouço aquela voz forte chamar meu nome: Aline!

Sai correndo e fui recebida com um forte abraço do médico que me disse: Filha, reza! Agora está muito difícil, ele está muito grave e não deve passar das próximas 24 horas... e eu respondi:

- Dificil não é impossível, para Deus nada é impossível... ele nasceu! Teve o pior diagnostico e nasceu... Mas ele não quis me dar esperanças e me abraçou novamente, e lá voltamos para a UTI... Parada cardíaca, outras complicações surgiam dia a dia, mas PASSAMOS novamente das 24 horas e passamos a ouvir diariamente, está grave, muito grave, agora gravíssimo... Para mim grave era grave, mas descobri na UTI que se tem níveis de gravidade...

Um longo mês se passou, Léo continuava sua dura luta com muita garra, eu ficava na UTI das 7:00 as 23h, meu marido chegava do trabalho e ficava comigo, numa noite ele resolveu ir para a casa mais cedo para cuidar do nosso cachorro e sofreu um assalto e foi baleado no pescoço.

E eu, que já passava o dia na UTI Neonatal comecei a me dividir em duas UTI’s, agora eram Pai e Filho em UTI,. Rô chegou ficar mais grave que o Léo, ficou 5 dias em coma. Era eu ali, agora sozinha naquela porta fria do centro cirúrgico horas esperando por noticias do Pai para correr ver o filho, mas nunca deixei de anima-los...

Eu chegava na UTI do Rodrigo e dizia, (com ele em coma mesmo,) Ro, o Léo está lindo, está crescendo, você não vai acreditar quando ver ele...

Ia para a UTI Neo e dizia para o Léo: 
Filho, Papai está morrendo de saudade, não vê a hora de ver você eu contei para ele desta ultima evolução ele ficou muito feliz.

Assim os dias foram passando....

Na UTI Neo nunca me davam esperanças, talvez, porque o Léo fosse muito pequeno (900g), mas tratavam como se ele fosse morrer, eu não suportava ver aquilo, para mim não importava quanto tempo íamos viver juntos eu só queria viver bem com ele... mas médico é medico, querem colocar a gente sempre em orbita, a única solução dita para o caso do Léo seria um transplante de intestino, que nao é feito no Brasil e ele precisaria ter o peso de 10kg, eu como mãe que sou achei SUPER VIÁVEL, faltavam apenas 9 kilos e 100 gramas... e comecei então a me informar sobre o tal transplante e descobri que custava milhões, mas o médico fez questão de esfregar isso na minha cara e disse:

Aline, você sabe quanto custa? Você não vai ter dinheiro para fazer o transplante... não é só o transplante, você tem que mudar de pais, se manter lá, tem os extras, etc. Aquilo que parecia um balde de água fria foi exatamente o contrário, foi a força que precisava para continuar lutando...

Quando finalmente o Rodrigo acordou do coma, ele me chamou e disse:

-Amor, eu vi eu você e o Leo no colo no aeroporto ele estava grandinho e tinha muuuuitas pessoas dando tchau para a gente.

Eu pensei, vamos fazer uma campanha... vamos deixar o orgulho, a vaidade, a privacidade e vamos atrás e então surgiu a campanha Juntos Pelo Léo.

Para finalizar esta parte, meu marido ficou ótimo sem sequelas e o Léo foi crescendo e engordando aos pouquinhos.



Presente e futuro

Não estávamos feliz no hospital que estávamos , não é fácil você ser a única pessoa otimista, a única a enxergar a vida no seu filho, os dias eram longos e tensos.

Então transferimos o Léo de hospital e uma nova equipe médica que posso afirmar com toda a certeza que tem a melhor energia possível, enxergou no Léo aquilo que eu tanto tentei mostrar, VIDA!

Claro que não foi fácil, passamos por mais cirurgias, no total (10 cirurgias) , mas eles acreditavam no potencial do Léo, e aquela historia de que o Léo nunca sairia do hospital começou a ser um passado... e depois de 9 meses dentro da UTI o Léo foi para o quarto, tudo mudou no quarto, tínhamos visita, podíamos dormir juntos na mesma cama, podia trocar de roupa varias vezes ao dia, ali, pude ser mãe um pouco... e depois de alguns meses (11 meses) deixamos o hospital para a nossa casa.

Aquele sonho que construímos, desconstuimos e construímos novamente de um novo jeito chegou!

Trouxemos o Léo para a casa e cá estamos por 7 lindos meses, vivendo e dando ao Léo a normalidade de uma vida de um bebê.

Sabemos que não podemos ficar assim por muito tempo, durmo e acordo vivendo somente o agora.

A minha melhor resposta para o futuro é EU NÃO SEI! 

Aprendi neste tempo que não temos controle de nada, que a vida é uma caixinha de surpresa, que dela só podemos decidir de que forma vamos dançar... Rindo ou chorando... 

Estamos ainda escrevendo nossa história... E agora você também faz parte dela ❤️

Beijos

Aline 

https://www.youtube.com/watch?v=VaTnWdR_33A

#juntospeloleo  #leoquerviver

Ajude como puder!

Segue a conta da campanha:
Banco Itau
AG 6241
Cc 05482-1 
Aline Bertolozzi 
Cpf 289.298.628-10 



Esse é o Leo. Como ajudar? Orem por ele. Depositem qualquer quantia. Vamos viralisar essa mensagem... essa hashtag; Vamos bolar uma vakinha... falar com medicos, não sei. Mas tenho a certeza que ele vai conseguir. <3

sexta-feira, 17 de junho de 2016

kalunga

Fica a reflexao:

entrei na kalunga com pressa, para comprar um cartucho de tinta para a impressora de casa. Ao lado do cartucho, massinhas de modelar.
beatriz pegou uma massinha rosa e seguimos para o caixa.

Na kalunga a fila do caixa é um estreito de bugingangas. Bia segurando sua massinha, eu meu cartucho e uma mae que seguia com seus dois filhos estava parando nas bugingangas. Ela resolveu entao que me deixaria passar, ja que eu estava decidida e ela nao. Ela puxava um carrinho, e estava com a filha dela de 9 anos com outro carrinho.
gentilmente ela foi para a esquerda e empurrou o carrinho para que eu passasse no centro.
A filha ficou na direita com o outro carrinho e de fato, so se eu pulasse a menina eu passava.
"vc quer que a moca faca ziguezague?? Tira seu carrinho para ela passar, fulana. Voce esta atrapalhando as pessoas"

Embora ela estivesse dando o bom exemplo de me passar na frente, falou de forma pesada com a filha. Mostrou o quanto a filha estava errada, enquanto ela poderia ter mostrado de outra forma.

Decididas, elas seguiram para a fila e pararam atras de mim no momento em que a Beatriz resolveu trocar sua preciosa massinha rosa por um incrivel pacote de mms.

"filha, vc nao vai levar os dois. se quer os mms, deixa a massinha na prateleira"
Beatriz fez a troca dela, e logo a menina de tras pediu um chocolate para a mae, que respondeu em alto e bom tom:

'DOCES E CHOCOLATES, SO AOS FINAIS DE SEMANA, FULANA"

Suspirei e pensei o quanto ela estava certa, e enquanto eu ponderava a possibilidade de implementar uma regra dessas, a menina foi, novamente repreendida duramente pela mae.

E eu sai da kalunga com uma menina de dois anos segurando um pacote de mms, em pleno dia de semana, mas me sentindo uma boa mae. Melhor liberar o doce e cuidar do EMOCIONAL da minha filha do que proporcionar uma alimentacao equilibrada, doces somente finais de semana e pequenas doses de baixa autoestima diarias.




Amigos da escola

eu precisooooo escrever!!!!!
De uns tempos para ca, vejo o blog como uma legado que deixarei para a Beatriz. E hoje, esse ultimo mes aconteceram fatos que vao formar a personalidade e infuenciar no comportamento dela.
...
No ano passado, ela tinha dois melhores amigos: Felipe e Sophia. No inicio desse ano, a sala foi dividida, entraram novos alunos e ela foi separada dos dois melhores amigos de forma cruel e avassaladora. Pelo menos, na epoca, fio assim que vi. Sofri por isso. Mas a professora me prometeu que seria bom.
No inicio ela procurava bastante pela Sophia, mas logo ela fez nova amizade. E dei razao a professora. E se tornou tao amiga da Nicole que chegou a me preocupar.
Brincavam de Ana e Elsa.
Bia atendia por Elsa e Nicole atendia por Ana.
Bia apontava para a imagem da frozen e dizia: "eu e nick"
No cafe da manha, levava um pote com duas bolachas. Uma para mim, outra para Nick. Faco gosto pela amizade das duas, os pais dela sao muito boa gente. Mas comecei a oferecer para ela levar mais bolachas para a escola. "leva para a Lelinha, ela é sua amiga tambem"
"nao, a nicole é a minha amiga"
E por muitas manhas, colocava mais bolachas no pote, mais adesivos na mochila, para que ela desse os tesouros para a Nicole e para outros amigos tambem.
Cheguei inclusive a mencionar com a coordenadora e com a mae da Nicole a minha preocupacao com essa exclusividade.
Tudo vinha acontecendo bem, ate que a Beatriz comecou a ter mudancas de comportamento. Queria dormir com a gente, passou a exigir mais a minha presenca. Passou a resistir de ir para a escola, e a chorar quando ia a deixar.
No ano passado, na adaptacao, nao houve resistencia.
No inicio do ano tambem nao.
Ela ja estava adaptada e acostumada. Gosta das professoras e todos os funcionarios da escola.
Dai me lembrei do que havia lido: a fase do terrible two. Terrible mesmo.
Medindo forcas, testando limites. De duas semanas para ca, como os livros alertavam, a chavinha mexeu. Ela mudou bruscamente de comportamento.
...
As salas tiveram suas reunioes semestrais com os professores, mas a nossa sala nao teve. Nossa professora ficou um tempo afastada com dor nas costas e com isso nossa reuniao foi remarcada e aconteceu somente hoje, no final do semestre.
Comentei com a professora que essas semanas estavam sendo crueis e tals, e na conversa ela me falou toda contente que a be estava agora se envolvendo com outras criancas.
Nicole, que vinha sendo a BFF dela, se cansou.
"nicole esta procurando sentar distante da bia, evita ela, e entao agora a Beatriz esta brincando com as outras criancas"
Sim, é otimo.
Fico realmente feliz que ela esteja brincando com outras criancas.
Mas entao notei que a fase que entendi que fosse terrible two, foi quando ela experimentou pela primeira vez a rejeicao. Foi Beatriz sendo evitada. Foi Beatriz tendo suas vontades, seus desejos frustrados.
E antes que achem que a Nicole esta errada... ambas tem dois ano de idade. Por N vezes Beatriz empurrou amiguinhas que ela nao queria tambem. Por N vezes Beatriz disse que essa nao é a minha amiga, eu nao quero brincar com ela, eu nao quero ela.
Nao possamos intervir. É a personalidade de ambas que esta se moldando se formando, se mostrando. E ambas tem o direito de se expressarem.
Mas minha filha tao amada nao soube me dizer que foi rejeitada. E eu, embora sempre tao atenta, nao soube diagnosticar.
Sai da reuniao com mil coisas na cabeca, mas a certeza de que com muito amor, e muita consciencia, vou formar um individuo capaz de sentir empatia. Capaz de ser amigavel, de fazer amizades verdadeiras, de cultiva-las, e saber dividi-las.
Para as ferias, minha licao de casa sera: trabalhar a diversidade de amigos. Alias, sugestao da professora é: "nao use mais a palavra amigo". Para ela, amigo é so uma, a BFF. Procure palavras mais amenas.
Encontrei-a hoje, quando fui busca-la, no brinquedao da escola.
Ela, Sophia e Felipe, sentados na casinha em cima do escorregador. Aos dois anos, ela voltou a origem, aos amigos queridos, e teve a alegria de ser recebida por eles com os bracos abertos.

sábado, 28 de maio de 2016

Programas no feriado

Meninas,
Gracas a D'us muitas das leitoras que aqui passaram ja sao maes, entao vou fazer uma lista rapida de programas bacanas com as criancas aqui em SP.
Tem varias pecas em cartaz como "pedro e o lobo", " tres porquinhos", chapeuzinho vermelho".
Fomos na peca "o jacare" - Teatro honda hall - e que tem curtissima temporada. Ah, e é uma das pecas mas em conta, e a Beatriz amouuuuu.
Tbm fomos no teatro da "galinha pintadinha" no teatro net e a Bia gostou muito. So achei um programa caro, na hipotese dos dois pais pagarem inteira fica bem salgado.
Ouvi falar da galeria do Gustavo Rosa. Ainda nao fui mas quero levar.
Museu catavento cultural ja falei varias vezes aqui, e volto a falar: vale MUITO a pena.
Zoologico e simba safari, deixem para ir quando o tempo esquentar um pouco.
O mesmo para a cia dos bichos, que adorei, mas tambem é um programa caro se os dois pais pagarem inteira.

Tem o borboletario aguias da serra, mas é longe e ainda nao fui. E precisa de tempo ensolarado e seco para ver as borboletas.

No cinema esta passando Peppa pig num horario tenebroso (13:30), mas vamos ver, obvio. Be tbm ja viu zootopia, que adorou. Aguardamos o "encontrando Dory" lancar agora nas ferias.

Com as ferias, os shopping sempre tem atracoes que divertem e entretem as criancas entao sempre entrem nos sites para ver.

O tempo aqui esta encruado no feriado, mas parques sempre sao boas atracoes. O parque do povo tem um teatro anexo (na primeira entrada apos o milk mellow) com pecas legais e gratuitas, alem de um pula pula tambem gratuito. E o parquinho de la é todo novinho, piso antiimpacto, uma graca.
O do ibirapuera é mais roots, mas tem zilhoes de brinquedos entao por mais cheio que esteja sempre tem balanca disponivel, o que nem sempre acontece no parque do povo.

Esses programas sao os que estamos fazendo com a Bia, que agora esta com 2anos e 5 meses.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Um ano

"Thais, você está com câncer e deve operar o quanto antes"
Já faz um ano que ouvi essas palavras do Dr Paulo Pontes, quando descobri um câncer de tireoide. Depois que ele viu que fiquei branca como papel, ele logo emendou que "se for ter um câncer, que seja de tireoide, é um câncer bonzinho!"
Me lembro como se fosse ontem: Acabou a consulta, descemos para buscar o carro e eu mantinha a minha cara blasé, ao lado do marido. Mas olhava a sena madureira e a vontade era de sair correndo, correndo, sentindo o vento bater no rosto, e fugir de tudo aquilo, daquele momento, da minha vida. Para o onibus que quero descer!!!
Mas não desci, enfrentei.
"Dr, faça o que tiver que fazer para que eu possa ver minha filha crescer", respondi.
Avisei poucas pessoas, em uma semana apos o diagnostico eu estava operada e graças a D'us e a muitas orações, não foi necessario o tratamento. O tumor estava encapsulado. Sorte pura!
Algumas poucas pessoas foram me ver no hospital, as quais sempre serei grata pelo carinho, e em poucos meses eu ja estava normalizada.
Esse ano passou com outro sabor.
E agora comemoro um ano do diagnostico, um ano daquela semana terrivel, onde tive medo de nao ver minha filha crescer.
Mas a vejo, todos os dias, crescer uma menina inteligente e saudavel.
E agradeco a D'us pelos pequenos milagres diarios.
Nesse ano amei muito, quem se mostrou merecedor do meu amor.
Ri muito, cada piada e historia que valia a pena.
Viajei para cada canto que me foi permitido.
Fui ao cinema, tomei sorvete, provei todas as capsulas da nespresso, 5 sabores de cheesecake, fiz pão sem gluten, comprei a batedeira que queria, aprendi a costurar.

Nesse ano, vivi a vida sem medo.
Deixei de lado quem não quis me acompanhar.
Descobri que a vida é doce, mas é curta. Ela se esvai entre os dedos, se vc não segurar firme. Ela é fragil demais, fulgaz demais, breve demais.
Não a desperdice.
Lute pelos seus sonhos.
Viva cada milagre.
Curta cada pequena vitoria.
A vida esta nos olhos de quem sabe viver.

Feliz um ano de vida nova.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Rompendo ciclos

Bem meninas, para quem me acompanha no insta (lindo.laco) sabe que eu estou trabalhando que nem doida (gracas ao bom D'us!!) e fazendo vestidinhos. Futuramente, tambem camisas!!!
E com isso estou bem afastada do blog.
Mas nao foi so isso, tive alguns problemas pessoais que me fizeram afastar.
Minha mae, que ja é infartada, teve um piripaque dia desses. Tenho as duas avos vivas. A avo do meu pai esta otima. 92 anos, ativa, ainda advoga. Nao nos da trabalho nenhum, so quando temos que nos deslocar para prestigiar suas homenagens e recebimentos de medalhas. Minha avo tem ate chave de cidade!!!
Mas a mae da minha mae, quem me ensinou tudo o que sou e tudo o que sei, esta doentinha. Ela morava numa casa no bairro do brooklin na minha infancia. Passava as ferias na casa dela, era o maximo. Minha mae tinha que trabalhar nas ferias (professores trabalham uma semana depois e duas antes das nossas ferias) e entao ficavamos ali. Não tinhamos grandes programas. O maior programa era estar ali. Ela costurava, bordava, pintava, cozinhava. E tinhamos o quintal com grama, arvores, flores. Ela era baixinha, estava sempre arrumada, perfumada, bem vestida. Era uma pessoa extremamente agradavel, sorridente, educada. Falava baixo, era culta e extremamente amorosa, carinhosa. Fazia carinho na gente, dava beijo, abraco, colo. Aprendi a cozinhar com ela. A pintar pano de prato, com ela. A costurar, a bordar. Aprendemos a xingar em arabe. Ela era filha de libaneses, e escutava sempre as historias que ela contava dos pais, dos tios, da casa linda que meu bisavo Nagib deixou em Beiruth.
... Hoje, na cadeira de rodas, de fraldas, e sem consciencia alguma das coisas. Fica ali, sentada, caindo para os lados, com aquele olhar fixo no nada, e aquele sorriso de quem a vida toda foi agradavel. Ja nao sabe o nome dela, o nome das cuidadoras, das filhas, das netas. Sequer sabe dizer que tem tres filhos, cinco netos e uma bisneta. Sabe apenas que existe um menino na familia - a Beatriz.
Conviver com ela te deixa para baixo. E conviver com os problemas referentes a todo o universo de uma idosa doente, destroi qualquer pessoa. E esta corroendo, destruindo, a minha mae.
E apos esse piripaque, ela teve que ficar em sao paulo por ordens medicas, e achamos melhor isolar ela do mundo aqui, em casa.
Cada vez que visito minha avo com Beatriz, percebo as curvas crescentes e decrescentes. A cada semana, Beatriz fala mais, danca mais, entende mais. Beatriz esta crescente, desenvolvendo-se, aprendendo.
E noto que a cada novo aprendizado de Beatriz, minha avo recolhe-se mais e mais. Mais curvada, mais ausente, mais dependente. Sempre penso naquele filme "O estranho caso de Benjamim", e saio de la com o sorriso nos labios e o coracao sangrando.
Alias, ja estou chorando.
Ja fazem uns 4 anos que fiz um kibe assado e juntou agua. Nunca tinha acontecido isso. Peguei o telefone e disquei na casa da minha avo, como sempre fiz. E antes de atender, me dei conta de que ela não poderia mais me ajudar. Naquele dia, ha quatro anos atras, percebi que a minha avo tinha morrido. Ela ja nao esta com a gente ja faz anos, mas a presenca ausente dela é de matar qualquer um.
E esta matando a minha mae.
E resolvemos deixa-la na ilha "casa da Thais" por dez dias. E minha mae ficou aqui, minha hospede prisioneira. Para Beatriz, foi o maximo. Ela aproveitou muito muito muito a presenca da avo.
Inclusive nos tambem aproveitamos, porque conseguimos sair para jantar num dia desses.
Para mim, foi excelente. Com minha mae morando aqui esses dez dias, ela pode sentir o que é a rotina da minha casa. Como vivemos. Nesses dez anos de casado, ela percebe muita coisa, mas vivendo aqui ela pode entender o que somos e como vivemos.
E estou escrevendo tudo isso por uma coisa que o ma acabou de me falar...
Num dia desses, numa birra da Bia, a Bia disse NAO. E logo depois disse: quero fazer xixi.
Entao eu disse a ela: NAO. E ela arregalou os olhos, e eu logo disse: viu? mamae sempre te trata com docura e vc deve tratar a mamae com docura. Se vc fizer feio com a mamae, é assim que a mamae vai fazer com voce. E peguei-a no colo, dei um abraco e fomos fazer xixi.
Enquanto estavamos no banheiro, minha mae chorou na mesa. Soube disso hoje.
Ela disse para o Ma que ela nao foi uma mae amorosa para nos. E que hoje sou para a Bia. E que ela se arrepende de nao ter sido assim conosco, mas que me admira por estar sendo uma boa mae.
Fiquei muito, muito feliz por peceber estar no caminho certo.
Por estar conseguindo romper o ciclo.
Obvio que tenho meus momentos. Que tento educar, e muitas vezes acabo sendo dura com ela. Fui educada assim e acredito que essa seja uma forma eficaz. Mas quando me bate a consciencia, amoleco e falo com docura e tento dar para Beatriz todo o carinho que sinto falta.
As maes que me leem, espero que possam fazer diferente. Espero que cada uma encontre em si os instrumentos para mudar o rumo de suas vidas, de romper os ciclos.
Boa semana!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Aumentando a familia

Bem, meninas....

No inicio do ano comentei que gostaria de aumentar a familia, ne?
Entao...
A verdade é que dentre os meus sonhos intimos, eu sempre sonhei em ter filhos. E mesmo tendo uma filha linda, perfeita, inteligente, alegre, carismatica e cheia de saude, eu sonhava em ter filhos naturalmente. Filhos de uma noite de sexo selvagem, de sexo gostoso, de uma noite romantica.
Atrasar a mestruacao, desconfiar, sentir os sintomas, confirmar.
Nos meus sonhos mais intimos, sonhava em curtir so eu, sozinha, essa gravidez por uma semana. nao contaria nem para o marido. Meu bebe.
E D'us sempre tao generoso comigo...
Tenho uma casa linda, um marido que me ama, uma casa confortavel, uma filha que dispensa comentarios. Sim, eu sonhava com isso.

No mes de janeiro, voltei na dra Dani. Ela pediu alguns exames, e sai de la tomando minhas vitaminas. Como sou gato escaldado, ja as tinha comprado nos estados unidos em minha ultima viagem. Marido ainda resistia tomar o vitergan, mas eu sempre tomando minhas vitaminazinhas, turbinando os ovulos. E vai mes, vem mes, meu segredo comigo.
A nossa vida sexual nao é mais aquela maravilha, entao nem todos os meses eu tinha a sorte de namorar no dia (ou perto dele). Inclusive nesse ano, o marido andou viajando muito a trabalho, e sempre nas datas mais especiais do ciclo. Como eu ainda estava tomando as vitaminas, nem me preocupei.
Passado os tres meses de vitaminas, nada do maridon fazer os exames dele: um espermograma e um teste de fragmentacao. Fiz os 137393736 exames, ate encontrei um nodulo na mama, e nada dele fazer o exame dele.
Por fim, ele fez, mas nao tinha a senha para buscar. "O laboratorio me manda por email". rsrsrsrsrsrs So no mundo dele. Ok, ok. Aguardei.
Mas nesse mes, namoramos justamente no dia. E dois dias depois. E eu senti alguma coisa. Senti fisgadas. Sim, eu ovulei bem no dia do meio, entre as duas namoradas. E contei para Mari SSA, aquele poço de serenidade e tranquilidade, que apenas me disse: "Thai, agradeça"
E agradeci. E conversei. E rezei, E pedi. Sim pedi. Pedi porque me senti no direito. Pedi porque sinto que é a hora. Pedi porque não quero Beatriz sozinha nesse mundo. Pedi porque Beatriz tem a alma generosa, a indole boa, e não quero ve-la desprotegida. Se não posso dar primos, darei irmaos. Familia é tudo.
Nos meus sonhos intimos, tenho tres filhos. Duas meninas e um menino, para saber como é o mundo dos meninos.
Sim, sonho alto.
Pedi, pedi mesmo.
E se passaram os dias, e senti outra fisgada. Embriao se fixando. Nidacao.
E guardei meu segredo, dividido apenas entre mim e Mari.
No sabado, estavamos numa festinha no interior, e Beatriz quis fazer xixi. Levei-a para dentro da casa, no lavabo, e logo apos ela ter feito xixi, eu tbm fui fazer. E quando abaixei a calcinha, Beatriz disparou: "mamae, sua calcinha esta suja"
Inclusive ela saiu contando para as pessoas aquele fato: a calcinha da mamae esta suja!!! rsrsrsrsrsrs
Sai do banheiro com a bexiga vazia e um sonho desfeito. Mestruei.
Achei que eu nao sofreria mais. Mas sempre vou sofrer. Sonhei por doze dias, e foi bom demais sonhar. Conversei com D'us, senti meu corpo, sonhei, sonhei, sonhei. Mas nao foi dessa vez.
Nada é como a dor de um negativo. Mas saber que criei meu castelinho, e uma onda desabou tudo.
Fiquei muito chateada.
Ci, Amanda e Ce: sei que vcs devem estar se pensando: Mas ela nao falou nada!!!
Nao, nao falei nada.
Esse é o momento da Amanda, eu tenho a certeza de que a hora dela chegou, e eu realmente quis curtir esse "bebe" sozinha.
Nao se sintam traidas, por favor.

Vida que segue, resolvi cobrar o marido do resultado dele. Afinal, sera que tenho condicoes de sonhar? E o bonito me manda o resultado do pior exame que ja fez... Dra pediu que refizesse o exame. E agora vou aguardar o bonito refazer....

O espermograma mede alguns parametros;
O volume e a concentracao, que quando aquem dos parametros, dificultam, mas nao impedem nada.
Do volume de 1,5 a 5 o dele deu 2
Da concentracao maior de 15, a dele deu 10
Ph mais acido do que deveria
Motilidade que deveria ser maior que 40, deu 30
E dai a tragedia..... O Kruger.... Santo Kruger... Maldito Kruger.... o fdp do Kruger....Ok que ele nunca teve muitos As, mas os Bs compensavam.....
a - 0%
b - 10%
c - 20%
d - 70%

E se vc ainda nao se jogou da ponte, ainda tem a morfologia.... que espera que mais de 4% sejam ovais. E os espermatozoides dele tem 1% de ovais.

Basicamente: ele tem pouco esperma. Nesse esperma, moram menos espermatozoides que o desejado, em ambiente mais acido do que deveria.
Quando se observa os espermatozoides, apenas 1% sao bonitos, com cabecas ovais e um rabinho. 99% sao cabecas feias, duas cabecas, dois rabos, sem rabo.
Nenhum saiu correndo feliz, para frente;
30% saiu andando, para os lados, para tras...
E 70% ficaram parados, lendo jornal ou dormindo.

Uma IA nao seria indicada pois sao muitos imperfeitos;
Uma FIV seria indicada com ICSI e muita sorte.

Dra achou melhor refazer o exame, para ter certeza da situacao. E me perguntou: "Thais, o que imaginam fazer?"

Eu quero dar irmaos para Beatriz. E darei. Se serei mãe dos tres, se um dia vou esperimentar a minha gestacao "natural", "acidental", não sei. Nesse momento, ela fica apenas num sonho muito, muito distante. Sonho que ja nem sei se devo sonhar nesse momento.

Mas serei mae novamente.

Ah, mas tem que ser por FIV.
Ok.
Sei os caminhos.
Conheco uma medica boa pra caralho.
Ja passei por isso.
Vai dar certo. Se vai ser na primeira, na segunda, na terceira, eu não sei. Mas vai dar certo.

Ja acionei o advogado, vamos acionar o plano de saude. Ele me explicou por cima que tem os meandros; Agora aguardo o retorno dele com o valor, e vou acionar o plano.

Estou de volta, meninas! Ainda esse ano, vou encarar uma FIV.



terça-feira, 5 de abril de 2016

A chegada de João

Sempre coloco aqui as historias, e quase sempre sao contadas pelas esposas.
Mas o sonho da maternidade é compartilhado pelo pai, e hoje é o marido de Mari SSA quem vai contar a historia deles, o ponto de vista dele...
Deliciem-se!


Bom pessoal, olha eu aqui para escrever umas linhas sobre um momento da minha vida que serviu como aprendizado, crescimento e fortalecimento de uma união de 12 anos. Meu nome é Wagner, sou esposo de Mari (SSA), minha esposa é assídua de um Blog sobre tentantes, acho que não, não acho que essa seria a melhor definição para esse blog, a definição perfeita seria um blog sobre o sonho da maternidade. Eu conheci esse blog através da minha esposa num momento difícil das nossas vidas, e confesso que nunca abri o blog pra ler, mas acompanhei através dela inúmeras histórias, incluindo a da autora e criadora, a famosa Thaís, e aí abro um parêntese para falar poucas palavras dessa mulher fantástica, que soube dividir um momento da vida dela com tantas mulheres e maridos desse Brasil, parabéns Thaís, e muito obrigado!
A história começa quando temos um plano de aumentar a família, sim, aumentar a família, porque quando nos casamos já começamos a constituir uma família, mas chega um tempo que a vontade de aumentá-la torna-se forte e aí partimos para os planos.
Vou contar a minha história pelo meu ponto de vista, do marido, muitas vezes esquecido  nesse processo, muitas vezes como coadjuvante, se é que essa história tem principal e coadjuvante, na minha opinião não, o casal é o principal, sentimos juntos , sofremos juntos, ficamos ansiosos juntos , e comemoramos e crescemos juntos, pois assim tem que ser, não de outra forma. Em 2006 começamos nossa caminhada para tentar engravidar, e aí foi-se 1 ano de tentativas e nada, então decidimos fazer uma consulta e uma surpresa, o problema era comigo !!! Um espermograma alterado e eu ali num dilema, vamos decidir, “tomem um vinho em casa e decidam se irão fazer tratamento logo ou a cirurgia de correção da varicocele”, foi a primeira coisa que ouvimos do médico, ali comecei a perceber que não era tão fácil assim ter filhos como eu imaginava desde criança, teríamos que enfrentar algumas barreiras, ou naquele momento uma barreira, longe de imaginarmos que o caminho seria muito longo , que enfrentaríamos tantas coisas “ruins”, tanto desgaste emocional , tanta decepção.
Fomos para casa e ficamos tentando processar aquilo novo e obscuro, mas que ao mesmo tempo, parecia tão simples quando o médico me explicou que era uma pequena cirurgia e que aquilo podia ser a solução dos nossos problemas. Acabei demorando um pouco, mas fui procurar um urologista e este já de cara marcou a cirurgia de correção da varicocele, eu fui, fiz a cirurgia, 03 meses depois outro espermograma, já com uma melhora importante, mas ainda longe de ser o ideal, enfim, estaríamos diante de outra decisão, esperar mais, já que meu urologista falou que era só ter paciência, ou procurar uma clínica para tratamento de infertilidade? Decidimos a clínica. Chegamos lá na clínica tinham 03 pessoas na sala, se diziam médicas e começaram a olhar os exames e de lá já saímos com a definição de que faríamos primeiro uma inseminação artificial, poxa que legal, pensamos uma inseminação era um procedimento mais simples, mais barato e com a certeza de que sairíamos com sucesso. O primeiro fracasso começou aí nesse momento, o tão aguardado beta deu negativo, é isso mesmo, ouvimos da médica, vamos partir para outra inseminação artificial, ela decretou, mas não aceitamos, pois lendo sobre o assunto, percebi que meu espermograma estava longe de ter a qualidade necessária para realização desse tipo de tratamento, mas PORQUE a MÉDICA INDICOU? Começaram os meus questionamentos. Então dissemos a ela que gostaríamos de tentar logo a FIV, a mesma então concordou, começamos então uma nova expectativa. Fizemos todo o processo da FIV, muita furada de agulha, muito hormônio no corpo de sua esposa, uma TPM potencializada, um procedimento cirúrgico na jogada, e ai a expectativa da fertilização dos embriões. Ninguém avisava nada, os dias se passavam e nós não sabíamos como esses embriões estavam. Chega o dia que ligam para que fôssemos à clínica no horário marcado que seriam colocados os embriões, maravilha, agora é muito simples, coloca no útero e espera o crescimento, quase certo gravidez né isso? NÃO, não é nada disso, até colocar, enfrentaríamos uma falta de sensibilidade absurda da médica, um despreparo total do embriologista e de toda equipe da clínica. Já no centro cirúrgico, questionamos sobre os embriões e nosso medo na colocação de mais de 02 pelo risco de gravidez trigemelar, mas com a objetividade e frieza da médica esse medo foi logo trocado pelo sentimento de frustação e tristeza: “só serão colocados 2 embriões , de qualidade ruim e com muito pouca chance de desenvolver”, ficamos parados , eu imaginei logo, como essa médica pode pensar que é  Deus? Como ela pode ter essa pretensão de definir se vai dar certo ou não? Será que não era para estar otimista? Ela acertou, não deu certo mais uma vez! Então após o tão aguardado beta vir negativo, resolvemos dar um tempo, tinha sido muita emoção para o casal, muda seu cotidiano, muda seu emocional, e você como o marido, tem que estar ali para apoiar sua esposa, certo? Errado, nós maridos também sofremos um fracasso, alteramos nosso humor, nos sentimos derrotados, o efeito dos hormônios também reverberam em nós, mas como somos culturalmente preparados para sermos fortes, super- homens, esse sofrimento todo fica escondido, camuflado na carapaça de homem, mas um dia essa carapaça descasca, desmorona! Demos um tempo para recompor nossas emoções, meu sogro faleceu nesse período, nossa casa passava por um reforma não programada, minha sogra em depressão com a morte de meu sogro, ou seja , o mundo continuava acontecendo paralelo a esse processo de derrota grande.
Passou-se um tempo, que eu já nem sei quanto tempo foi, mas decidimos que mais uma vez tentaríamos uma nova FIV, dessa vez já com a certeza de que não seria na BAHIA. Tínhamos referência de uma clínica em Belo Horizonte, onde 01 amiga e uma conhecida fizeram e foram bem sucedidas, lá fomos nós para consulta, lá fomos nós para outra FIV. O processo dessa vez era metade on line metade presencial, tira-se folículos, espera-se fertilizar e mais uma vez a expectativa maluca de sabermos como estavam os embriões. Mari apresentou uma reação absurda aos hormônios, barriga aumentou de tamanho, dores fortes, realmente me preocupei de ter tido alguma complicação do procedimento de punção. Depois de ligar para clínica e praticamente exigir que minha esposa fosse atendida, fomos orientados a irmos pessoalmente para ouvir que era assim mesmo, essa era reação normal do tratamento, NORMAL?! Porque que de outras vezes isso não aconteceu? Enfim, o tão esperado telefonema da clinica aconteceu e tínhamos 2 embriões, que segundo o médico , eram nota 10, marcamos colocamos e voltamos para nossa cidade com a certeza de que dessa vez daria certo, olha nós em mais uma espera , mais expectativa, pronto, o beta deu 25, ligamos e recebemos um parabéns , “vocês estão grávidos ! “.PORQUE GRÁVIDOS COM UM BETA TÃO BAIXO ?Após uma semana, sangramento, beta negativo e só restou mais uma decepção, muitos questionamentos, dúvidas e para completar após 20 dias uma ligação da psicóloga da clínica oferecendo para fazer uma homenagem no FACEBOOK pela gravidez! Isso mesmo, gravidez, eles não se comunicam dentro da clínica não? Psicóloga? De onde surgiu? Quem falou que era necessário? Porque não deu certo com 2 embriões tão maravilhosos ? Depois descobrimos que esses embriões foram manipulados num processo de retirada de vacúolos que prejudicam o desenvolvimento. Mais um tempo de recomposição de tanta emoção e frustação.
Passado o período, período difícil, Mari ficou depressiva, e eu ali me segurando na vontade de ser Pai e de continuar, porque na minha cabeça não deveria ter intervalo, mas eu não sentia o efeito dos hormônios no corpo, foi um traço de egoísmo da minha parte, mas vem da minha personalidade, se quero uma coisa, faço até conseguir, mas como falei anteriormente, esse processo é do casal e não só meu, eu tinha que perceber o emocional dela também, entender, aceitar, dividir e crescer junto.
Fomos procurar mais uma vez outra profissional da nossa cidade, aquela sensação da comodidade de ser na nossa cidade junto com a esperança de que dessa vez daria certo, fomos procurar uma amiga minha que trabalha com reprodução humana. Mari procurou Yoga e acupuntura para suporte emocional. E vamos nós a mais um protocolo de tratamento, doses menores de hormônio, bom número de óvulos e mais uma vez nos deparamos com uma quantidade de 02 embriões e ainda assim para serem implantados num ciclo natural porque dessa vez alguém resolveu dosar os hormônios e viu que estavam muito elevados e que não seria possível uma implantação. Mas porque não dosaram esses hormônios nos outros tratamentos? Apareceu também mais uma novidade: terá que usar clexane durante a gravidez, porque não viram isso num exame já realizado há tanto tempo? Enfim, descongela-se os 02 únicos embriões, fomos colocados no centro cirúrgico antes da médica chegar e quando ela chegou , o susto e a pergunta : O que vocês estão fazendo aqui ? Parecia irreal, mas não tínhamos mais embrião, no descongelamento não resistiram e ninguém nos informou, simplesmente com a frieza de sempre nos colocaram num centro cirúrgico sem a menor sensibilidade. Porque isso? Alguém tem alguma explicação para não termos embriões bons? E agora? Não sabemos, não sei o que houve, essas eram as respostas. Vocês já pensaram em óvulo doação? Essa pergunta num momento de fracasso é um balde de gelo. Resolvemos emendar um novo tratamento, e lá fomos nós, tudo igual só que dessa vez iríamos esperar blastocisto e assim foi , mais uma vez 2 embriões chegaram a blastocisto, segundo disseram, ótimos! Mais 12 dias de expectativa e mais um negativo para a coleção de noticias ruim!
Paramos um tempo e fomos processar todo aquele percurso, passou-se um tempo e então resolvemos que faríamos uma nova tentativa, só que dessa vez seria em São Paulo, num centro de referência que seria o Huntington e com Dra Daniella Castellotti. E lá fomos nós para consulta e depois início do tratamento. O que mais me impressionou foi que depois de inúmeras tentativas em centros diferentes, nós percebemos que com Dra.Daniella as coisas foram bem diferentes. Conseguimos nos sentir seguros e acolhidos ao mesmo tempo, fato que nos fez sentir muito tranquilos e com isso pudemos aproveitar muito bem a cidade de São Paulo durante os 10 dias que ficamos até a implantação dos 2 embriões blastocistos na época de São João de 2015. Voltamos para Salvador com uma certeza: a de que tínhamos feito o melhor dessa vez e que o resultado seria uma consequência da vontade de Deus!! É exatamente essa sensação que buscamos ao início de qualquer tratamento médico quando ele é feito de uma forma profissional, ética e humana!

Hoje estamos aguardando a chegada de nosso filho tão esperado, João! A trajetória muitas vezes pode ser dolorosa, mas dela tiramos um aprendizado de vida, o importante é persistir no sonho!


João nasceu lindo e charmoso, com 4.80kgs e muita saude, na ultima sexta feira, dia 1/4/16. Papai e mamae estao babando, encantados com tanta gostosura. E a dinda virtual ta aqui, lamentando que Salvador seja tão distante de sp....

segunda-feira, 21 de março de 2016

Dicas para o desfralde

Meninas,

Embora eu tenha desfraldado apenas uma unica vez - nao sou nenhuma expert - quero compilar aqui as dicas que acho que podem ser uteis para quem estiver passando pela fase de desfralde.

1- Observar se esta na hora da crianca.

Tem alguns sinais motores que a crianca dá quando o desfralde pode ser feito. Pular com os dois pes ao mesmo tempo e descer escada com um pé em cada degrau;
Na minha primeira tentativa, Beatriz ja tinha a compreensao, mas ainda não conseguia pular nem descer escada certinho. Parece que quando a crianca consegue isso, o organismo ja consegue controlar o esfincter.
Algumas criancas se incomodam com a fralda umida, ou com a fralda cheia de coco. Esse é um sinal importante para ser observado. Se a crianca se incomoda com o xixi na fralda, sera bem mais facil tirar a fralda.


2- Compreensão

A compreensao da crianca é essencial.
Ela deve compreender todo o processo para que possa colaborar com ele. O ideal é que ela ja consiga falar, para que ela possa se expressar, responder e se comunicar.
Conversei com ela e expliquei que ela estava crescendo, que algumas amigas ja usavam calcinha e ela era uma menininha ja. E quando tiramos a fralda, disse que eu estava muito orgulhosa dela.


3- Calcinhas tematicas

Aqui a calcinha tematica foi o plus. Nas lojas de departamento tem calcinhas com personagens; Aqui comprei da Peppa pig e da Frozen, e o desfralde funcionou bem quando ela percebeu que quando vazava xixi, ela tinha que tirar aquela calcinha linnnda que ela tinha escolhido e colocar outra menos bonita.


4- Paciencia

Não é facil. A crianca dessa idade ja comeca a desafiar, e muitas vezes usa o xixi como motivo para chamar sua atencao.
Voce pode ter 14 sofas em casa, ela vai escolher o mais claro - o de linho de preferencia - e pá, vai fazer xixi ali. E o ideal é que vc respire fundo, e diga em tom amoroso: "o lugar do xixi é na privada, meu amor". Mesmo que vc queira esganar sua filha, e sair correndo para limpar o estofado antes de manchar.
Alias, veja o lado bom da coisa: numero dois seria beeeem pior.
Sim, serão algumas pocinhas de xixi e coco pela casa. Mas essa fase dura bem pouco. Callllma.
A cada xixi fora, não demonstrar que ficou chateada/brava/decepcionada. Trocar, e sempre lembrar que o "lugar de xixi é na privada". Quase um mantra.


5- Passe num pet shop

Faça compras num pet shop. Compre alguns tapetes higienicos e tambem um desifetante chamado Sanol.
O sanol (gosto do azul) tira o cheiro de xixi da casa. Tem em embalagem spray, super pratico.
O tapetinho higienico é um coringa! Lá na frente, quando for passar para o desfralde noturno, coloque o tapetinho embaixo do lencol para proteger o colchão e não deixar a crianca molhada a noite.
Nessa primeira etapa de desfralde, use o tapete na cadeirinha do carro e no sofá da tv. Leva um tempo para a crianca avisar que ela quer fazer xixi no meio do episodio da Peppa pig. Então sente-a sobre o tapetinho higienico nesse inicio.


6- Faça um ritual

Aqui tive um apoio absurdo da escola. Na data combinada, Beatriz tirou a fralda na frente dos amiguinhos, vestiu uma calcinha e ela mesma jogou a fralda no lixo. Aquele ritual marcou-a, e ela nunca mais vestiu uma fralda durante o dia desde então. (ainda usamos a fralda para dormir a noite)

7- Livros

Leiam juntos livros que estimulem essa fase.
Emprestei da escola os seguintes titulos:
" Cade meu penico?" Mij Kelly
" Camila faz xixi na calça" Nancy Devaux, Aline de Petigny
"O que é que se faz com um penico" marianne Borgardt

E sei que tambem são muito legais:
"Quero meu penico" Tony Ross
"Coco no trono" Benoit Charlot
"O que tem dentro da sua fralda?" Guida Van Genechten


8 - Acessorios

Vão juntos na loja comprar um banquinho para que a crianca consiga subir na privada e tambem um redutor de assento. Tem modelos super legais, inclusive um que é uma escadinha que já tem o redutor, como o Toily da loja Tinok.


9 - Premios

Aqui em casa rolou só o parabens, mas vale sempre reforçar o comportamento positivo. Voce pode comprar purpurina e jogar purpurina pelo banheiro quando rolar xixi no vaso, chamar a fadinha, dar tchau para o xixi...
Tem tambem os adesivos e os quadrinhos. A cada x adesivos a crianca ganha um livro/presente.
E tem tambem quem de chocolates e guloseimas a cada xixi. Gostei da minha amiga que dava UMA bolinha de chumbinho (aquele chocolate da kopenhaguem bem miudinho) a cada xixi na privada.


10 - Esteja preparada

No inicio, calcule 6 a 8 acidentes durante o dia.
Deixe a crianca se possivel descalca e so de camiseta e calcinha.
Se não for possivel, sapato plastico (crocs ou havaiana). O xixi vai escorrer e é um coringa estar com um sapato lavou-secou.
Esse inicio é otimo que seja feito numa epoca quente do ano exatamente por esse topico. Deixar a crianca so de camiseta facilita a nossa vida. Se for menina, vestidinho e calcinha.
Os acidentes devem diminuir com o passar dos dias.
No primeiro dia, observe a ingestao de liquidos, e estimule-a a fazer xixi. Ofereca de 10 em 10 minutos, e sempre que possivel, sente a crianca no vaso. Leia, cante, leve brinquedos e sente no chao do banheiro nesses primeiros dias.
Com o passar dos dias, va espacando as ofertas, sempre observando a ingestao de liquidos.
E boa sorte!

Aqui em casa, como Beatriz ja compreendia tudo, tentei o desfralde com 1ano e 11 meses. Mas não deu certo, ainda era muito cedo. O ideal é comecar e não retroceder, pois pode dar um nó na cabecinha deles. Aqui comecei cedo e voltei atras, embora não fosse o ideal, foi o melhor na epoca.
Retomei com 2anos e 3 meses, motivada pelo fim do verão. Em 5 dias ela ja estava condicionada a fazer xixi na privada.
Sim, acontecem ainda acidentes, mas cada vez menos.

Uma coisa que aconteceu com Beatriz e aqui fica a minha dica foi que ela, ao segurar o xixi, causou uma prisao de ventre. Parece que as vezes acontece. Hidratar bastante e nesses dias de desfralde oferecer uma dieta laxante pode evitar que isso ocorra.
Incluimos mamao papaya e agua de ameixa pela manha, dobrei a ingestao de liquidos e estamos evitando maçã e biscoito de polvilho nesses dias, ate a regularização do intestino dela.