segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

1a aula de ballet e medo

Na quarta feira levei a Be para fazer a aula de ballet na tal escola perto de casa. A escola é o maximo. PROFISSIONAL com letra maiuscula. Eles respiram ballet e posso adiantar que a aula, embora recreativa, ja demostrava sinais claros de cosciencia corporal, comandos e alguns passos, como o plie e primeira posicao. Tudo muito, muito sutil.
Aula lotada, bombando.
Durava 50 minutos, os quais fiquei na porta babando, junto com outras maes.
Achei curioso perceber que no meio da aula a Bia estava conversando com outra crianca. Elas se identificaram logo e estava brincando, conversando - sabe-se la o que. rsrsrsrsrs
Puxou a mae, porque logo ingressei uma conversa com outra mae.
- É a primeira aula de ballet da minha filha, disse eu.
- Ah, vc vai se apaixonar! Eu faço aula aqui, minha mais velha e aquela é a minha mais nova. A escola é o maximo. A apresentação é impecavel. A unica parte ruim é o segundo semestre, porque fica muito tenso por conta da apresentação.
- A sua turma né? Mas das meninas não.
- A escola toda. Não pode faltar a partir de setembro.

Ela me explicou, inclusive me mostrou as fotos. Realmente, a apresentacao era impecavel. Eles nao estavam ali de brincadeira, a apresentacao do fim de ano era a vitrine deles e uma crianca de tres anos não poderia fazer pouco. Eles eram profissionais e cobravam uma postura profissional de todos. Das maes e das criancas.

Era mesmo isso que eu queria?
Me doeu.
Expor Beatriz a esse stress todo?
Aos tres anos, a ultima coisa que eu quero é que ela tenha cobranças.

Senti que na hipotese dela se identificar no ballet e querer segui-lo, seria ali que eu voltaria. Mas nesse momento...nao.
Hoje a Be vai ter uma aula teste no ballet do clube.

Vai almocar no clube, dormir la e busco ela. Troco, a levo para a aula com a coleguinha de sala e então retornaremos para casa.
...

Estando ali na escola de ballet ou no clube, muitas vezes me sinto numa ilha.
Embora esses dias estejam muito quentes, na escola tinha um ar condicionado com a temperatura agradavel.
Ao meu redor, babas de branco com as criancas de rosa.
No ambiente, tocava aquela musica classica tipica de ballet.
Sai de la, caminhei poucos passos ate meu carro.
Segurei a bia. Segurei minha bolsa. Olho ao redor antes de abri-la e entao abro, pego a chave do carro e coloco a Bia dentro, com cadeirinha e cinto de seguranca o mais rapido possivel.
Nao podemos dar bobeira.
Ja falei aqui o medo que sinto?
Ja falei que ando de vidro fechado?
Ja falei que o ma insiste para que eu ande de carro blindado? (eu prefiro o sem blindagem porque me da uma certa claustrofobia, fora que acho que o blindado chama mais atencao)
Entramos rapido no carro e voltamos para casa.

Na volta da escola da Bia, passamos todos os dias pela Av Helio Pelegrino. Ali esta sempre parado, em frente ao quartel dos bombeiros. O ma ja foi assaltado ali. Fico ali dez minuto, todos os dias.
Do outro lado da rua, uma famila mora la, e deixa ao redor placas escritas que precisam de fraldas, leite, comida, roupas.

Aquilo me embrulha o estomago. É uma questao tao complexa que raramente eu exponho no blog, para nao ser polemica.
Eu tambem preciso de muitas coisas.
E aquela familia imensa tem muitos adultos capazes de sair para trabalhar.
E ha pouco trabalho.
Ha pouca oportunidade.
Mas sempre ha grama para ser aparada. Carro para ser lavado.
Cresci ouvindo que o trabalho dignifica.
E ha uma grande parcela de encostados, que acreditam que os que tem mais - ainda que esses tenham conseguido algo atraves de seu suor - devam repartir com os que tem menos.
Assalto.
Violencia.
Inseguranca.
Manifestacoes de sem teto que invadem predios. Invadiram um predio que aguardava alvara de demolicao na prefeitura. O predio fica na marginal pinheiros, logo atras do shopping iguatemi, no bairro jardim paulista. O metro quadrado de la deve ser uns 15-12mil.
Porra, entao vc rala pra caramba para comprar um apartamento, paga 12mil no metro quadrado e na semana seguinte tem um predio invadido ao seu lado. TROXA.
E nao da para sair na rua.
Impossivel comprar um pao a pe.
Medo.

Saio com a Bia a pe aqui nos nossos quarteiroes. Bia, da a mao.
Quando estamos em alguma loja e estou com as maos ocupadas, Bia, segura na minha perna.
Nunca paro perto da porta.
Sempre sento a Bia nos restaurantes longe da porta.
Ando com uma especie de panico crescente.
Nunca fui medrosa. Pelo contrario.
Mas nao sossego mais. Tenho medo.
Medo de ser assaltada.
Medo que me roubem a Bia.
Andaram falando sobre trafico de orgaos.

Medo me ronda.

Sempre que preciso ir a 25 de marco, e vou pelo menos todos os meses, sempre paro com os manos. Acho o estacionamento um roubo e onde moro, nao compensa ir ate um metro. Entao sempre parei com os manos. Eles poe a zona azul e caso nao precise, cobram 7 reais. Costumo ser bem rapida, raramente, ultrapasso esse valor. Sempre paro com os guardadores nesse locais mais cheios: rua santa rosa, bras (quando eu ia comprar uniformes para a empresa), 25.
Dia desses, ouvi de um deles, pela primeira vez: cuidado com a bolsa.

Uso uma bolsa tiracolo, dessas que da para cruzar na frente. Minima. Chave do carro, escova de dentes, carteira, celular. De ziper.

Ja nem me lembro mais a ultima vez que usei uma bolsa grande.

Que carreguei mais que cinquenta reais na carteira.

Que usei uma joia.

Comeco a me perguntar se é essa a vida que quero para Beatriz.
Uma vontade de ir embora do meu pais, da minha cidade, me invade e me domina, pela primeira vez.







quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Ingles, ballet e natacao.

Dia desses percebi como eu sou intensa.
Sou intensa em tudo.
Mergulho. Abraço. Vivo aquele dilema, aquela pesquisa.
Não sei ser diferente.

Nas vesperas de comecarem as aulas na escola nova, comecaram a me brotar duvidas e duvidas e duvidas.
Vivi o luto da perda da escola que eu gostava de forma que so fui tirar os uniformes vermelhinhos do armario no dia que as aulas comecaram. Deixei os uniformes azuis novos em cima da mesa da sala por quase uma semana. Não pensei na escola nova, na nova rotina, em nada.
Curti as ferias como se ela fosse voltar para a escola dela.
Eu dentro da minha zona de conforto.

Bia vai estudar na escola que fica dentro do clube. Entrego no predio da escola e busco no predio da escola as 12:00.
Mas das 8 as 12 em sp pouco se faz, demoro meia hora de trajeto para ir e mais meia hora para voltar. Preciso que ela fique algum dia a tarde.
A escola tem tercas e quintas a opcao a tarde com ingles. Busco na escola, no predio da escola, com as professoras da escola.
Mas custa uma fortuna.
E ja viram as tais professoras de ingles falando em portugues com as criancas. Parece que não é nenhum toefel.
Vejam: não acho que aos tres anos tenha que ser toefel, mas estou pagando BEM caro. Alias, mais caro do que a top Red Ballon, que tem uma unidade do lado de casa.
Resolvi repensar.
Colocar a Be no ingles fora da escola, na escola mais forte de ingles.
E a mais forte seria mais barata tambem.
Mas dai eu buscaria na hora do almoco.
Sai, busca, almoca, leva, espera e volta. Aff. Cansei. Mas e o melhor para ela.
E dai ela pode fazer ballet ou natacao no clube.
Esportes no clube, nada mais obvio.
E no clube, ela fica com os professores do clube, dentro do clube. deixo na escola, passam a bola para o clube, busco dentro do clube. O Clube, embora não seja imenso, para a idade dela, é bem grande.

Mas quem a levaria? Quem a trocaria? Colocaria o colant, a meia calca, faria o cabelo? E quem a secaria quando saisse da piscina? Como sera quando chegar o inverno?
Todas as criancas fazem no clube.
Os professores e assistentes cuidam, fazem, levam.
Mas me lembrei de quando eu era crianca e passava as tardes sozinha no clube. Me sentia sozinha. Era muito ruim.
Não quis isso para a minha filha.
Nao foi o que eu sonhei.

Coloquei-a no ingles da escola. Ela ja estava matriculada mesmo.
Ela pode brincar com os outros amiguinhos da escola antiga, pois eles juntam as salas. Logo no segundo dia fiz a experiencia, e ela voltou tão feliz! Acho que ela mesma decidiu. Vai ficar com o ingles mais fraco nesse inicio. Com a opcao mais cara, e a mamae vai ter duas tardes livres para poder voltar a fazer um curso.

E vou levar ela para fazer aula de ballet e de natacao. Uma hora cada. Vamos experimentar. So espero que não fique puxado demais. Prezo muito pelas horas livres, ainda mais nessa idade.
Vamos tocando e dai vejo como sera.





Dentista

Meninas,

tudo bem?

As ferias terminaram, fiz pouquissimos "programas legais" com a Bia mas nos curtimos muito.
As aulas comecaram na escola nova a adaptação é muito mais minha do que da Bia. Ela esta super bem, contente em ir para a escola, feliz com os amiguinhos e a professora.
E logo no primeiro dia de aula dela eu finalmente a levei ao dentista.
E tive um susto, porque ela esta com caries.
E fica aqui meu relato.
Quando Bia estava com 2 anos, os amiguinhos comecaram a ir ao dentista. Foi quando liguei para a minha dentista. A maioria das pessoas que conheço ja mudaram de dentista, mas eu tenho a mesma desde sempre. Minha ficha comeca aos tres anos e segue ate os dias de hoje.
A Vera era odontopediatra, então fui nela para mostrar ainda meus dentes de leite. Embora eu tenha tido sempre muitas caries quando pequena (tem gente que tem essa pre disposicao), nunca mais tive nada com os permanentes. Vou a cada 6m/1ano e faco a limpeza e a manutencao do que precisa.
Liguei la, e marquei a primeira consulta para a Bia. "Thais, a partir de tres anos apenas"; Confio na Vera, aguardei.
Quando a Bia estava com 2 anos e meio, a amiguinha teve carie, achei melhor ligar la.
"Thais, a partir de tres anos apenas"
Bia fez tres anos em dezembro, e ela bateu a boca.
Eu estava dando banho nela, e fui ensaboar o bumbum. Ela não queria, puxou para o outro lado, desequilibrou e bateu o dente da frente, superior. TUM. Barulhao seco, chorou a beça, mas o dente nem quebrou nem trincou.
Olhei bem no dia seguinte e ele estava lindao. Ufa.
Quinze dias depois, ele passou a escurecer dia a dia, quando eu liguei na Vera.
"Estourou uma veia dentro do dente, esta escurecendo porque "vazou" sangue, e isso mancha o dente. Se ele esta bem preso nao ha o que se preocupar, mas e bom trazer e tirar um raio x para acompanhar o crescimento do permanente."
UHUUUU

FINALMENTEEEE eu estava liberada para levar Beatriz na dentista!!!

Esperei a data da consuta - a Vera tem uma agenda lotada - e quase vinte dias depois do telefonema, la fui eu levar minha pequena. A Vera me explicou que com tres anos a crianca ja tem um entendimento maior para ficar sentada parada com a boca aberta. Ela acha que antes disso poderia traumatizar a crianca, por isso nao via necessidade.
Aham.
Bia abriu a boca e a vera ficou branca.
Thais, a menina esta cheia de carie!
oi??
Carie, Thais, olha aqui. E foi me mostrando os buracos.
Sai da sala, fui marcar outros horarios - mais 4 novos horarios para cada carie- e minhas pernas estavam bambeando.
Na frente da Bia nao falei absolutamente nada.
Estava transtornada.
A noite, coloquei a Be para dormir e então chorei. E nem consegui dormir.
Os dentes careados são os molares, que nasceram ha seis meses.
Vou em outra dentista.

Como confiar na Vera?

falei com minha amiga que é odonto. Ela me recomendou levar a Be em uma odontopediatra da atualidade, daquelas que se vestem de fada e são rapidas e ludicas. Sera menos sofrido e menos traumatico para Beatriz.

Como confiar na fada?

Deixei passar mais um dia e ponderei.
A Vera pisou na bola, é fato.
A minha ultima ligação foi em julho, quando a Be ainda nem tinha os dentes que estão careados.
se eu tivesse ido la, ela teria passado fluor, o que poderia ter evitado a carie.
Se
Odeio esse SE.
Fato é que eu não fui.
E a boca da menina ta esburacada. Vamos tratar. Vou ficar em cima. Aprendi a lição.

EU sou a mãe. Eu tenho meus feelings e dane-se quem disser o contrario. Me chamem de louca, mas quando eu tiver meus feelings vou segui-los.

E não consigo confiar na fada.

Liguei na Vera, soltei os cachorros, disse que poderiamos ter evitado isso se eu tivesse a levado quando eu pedi, mas que eu confiava no servico dela, e que queria antecipar as consultas. Agenda lotada, nao consegui antecipar muita coisa, mas vou nela.

Conselho do post: facam a preventiva no dentista.
Sigam seus instintos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

feliz 2017

oi Meninas,

feliz ano novo.

2016 passou com muitas dificuldades. Aqui em casa, tive a criação do site e da lojinha de lacos, (www.lindolaco.com.br), que graças a D-us e com muito esforço, vem decolando. Mas foi um ano de muito esforço, de muita ralação, poucos resultados.
O fim do ano foi marcado com a perda dos gêmeos e isso me marcou muito.
Tivemos muitas alegrias também. Vi Bia crescer, largar a fralda, a chupeta, ir para uma cama de solteiro. Ela esta com saude e falante, esperta, alegre. Mas sinceramente, a perda dos meninos mexeu tanto comigo que mesmo os acontecimentos mais coloridos ficaram branco e preto.
E mais do que isso, a cada alegria vinha o remorso de me sentir feliz.
2017 começa com bastante esperança.
Escola nova, amiguinhos novos.
Retomar, refazer, recomeçar.
E estou aqui de volta....

Uma amiga dia desses me perguntou como foi que eu fazia para Donabe dormir com seus 6-7meses. Não faço a menor ideia!!! esqueci!!!! Mas tem no blog! leia o Blog!
E então percebi que esse blog pode ser manual de ajuda de varias fases da vida. E a vida é feita de fases!!! fases Alegres, tristes, dificeis, fases boas. Temos que nos lembrar que as fases são curtas, passam logo. Quando estivermos nas fases boas, curtaaaa, porque passa logo. Quando a fase for ruim, respira fundo, porque passa logo!

Dia desses uma amiga perguntou como ficou o sexo depois da gravidez.... e fiquei aqui matutando. Com o processo de seis anos de tentativas, acabamos nos distanciando demais na cama. Quando engravidei, não tinha muita vontade de sexo no inicio. Fui ter vontade quando estava de barrigão, mas dai era o marido quem morria de medo de "cutucar o bebe". Expliquei que ele não era o kid bengala e que ele nem era tao bem dotado assim kkkkkkk mas não deu certo. Acho que nos nove meses, transamos duas, tres vezes no maximo.
Quando a be nasceu, foi bem caotico.
Ate os tres meses eu tinha leite e ele se queixava que eu cheirava coalhada. Dizia que o meu canto d cama cheirava azedo. Ou seja: broxante.
Dai, quando chegou a baba e eu parei de amamentar, as coisas nao evoluiram muito. Poderiamos sair para namorar, mas acho que naquele primeiro ano da Bia transamos pouquissimo, tipo umas 4 vezes NO ANOOOO.
Dra Dani ate me disse na epoca que era para eu fazer um esforco e tals, mas minha cabeca nao estava para sexo. Com a saida da baba e a entrada da Bia na escola, EU fui ficando melhor e me retomando. E acho que o sexo passou a melhorar e retomamos nossa intimidade quando a Bia estava com um ano. ja paramos no meio porque a Bia chamou, porque a Bia entrou no quarto, ja acordamos ela.
Mas levamos isso de forma mais leve e as vezes, morrendo de vontade de terminar o que comecamos, colocamos a Bia na cama entre a gente e deixamos para uma outra hora.
Não me sinto nada expert em falar sobre sexo depois dos filhos porque nossa vida sexual ficou praticamente nula por esses dois anos de gestacao e nascimento. Mas a minha experiencia me mostrou que vamos nos adaptando e ajeitando.

Bem, para esse ano de 2017 espero que todas possam evoluir e crescer.
Teremos em breve a chegada de uma bebe amada, a Maria Luisa, filha de uma leitora querida.
Teremos tambem a chegada de um bebe de uma amiga especial, a Cecilia.
Teremos um positivo muito aguardado, e espero que as tentantes possam ter seus positivos e possam caminhar em largos passos a caminho de seus sonhos.
Minha amiga Amanda ainda não tera positivo esse ano, pois tem que se recuperar. Mas os passos serao largos e sempre em direcao aos sonhos.
E quem sabe eu, que nunca deixei de ser tentante, não pego meu positivo tambem?

Ontem fui no endocrino para cuidar das minhas dosagens, estou ate que bem. Tenho que fazer os exames de sangue, um ultrassom do buraco, monitorar mesmo.

Vamos caminhando... mantendo em nossos pensamentos que hoje sera melhor que ontem, e pior que amanha.

feliz ano novo para cada uma de voces!


domingo, 27 de novembro de 2016

Carta para os gêmeos

Meninas,

como ja disse no post anterior, andei muito chateada pelos ultimos acontecimentos com minha amiga.
Com um pouco mais de tempo sentaremos para escrever, eu e ela, e vamos tentar contar tudo o que aconteceu.
Nesse momento, as feridas - fisicas e emocionais ainda estao abertas.
O tempo deverá cuidar de amenizar um pouco a dor, trazer bons momentos, e acima de tudo, aprender a viver com o que aconteceu.
Quero ainda discutir no blog bastante sobre um assunto pouco falado: o aborto.
Porque sofrer calada?
Porque escutar que "quando outro filho chegar, vc vai esquecer disso". Não, não vai. Uma mãe que perde um filho perde os sonhos sonhados para aquele filho.
O tempo ensina a LIDAR, a administrar esse sentimento.
Mas as cicatrizes sempre estarão no coração.
Quem quiser falar sobre o aborto, me procure por favor.
Quero fazer posts aqui.
Quero visitar esse local pouco falado.
Quero que cada uma que ja passou por essa dor possa encontrar espaço aqui.

Segue uma carta que minha amiga fez para seus meninos.

Eu nunca os vi meus filhos, mas os conheço e os senti como ninguém! São reais!
Vcs me tornaram mãe, me fizeram enxergar que sou capaz de gerar...fazer bracinhos e dedinhos!
Me deram mais anos com o vovô... sim meus amores, o vovô parou de fumar!
Fizeram o q eu achava impossível... Amar ainda mais o papai! Ele acorda mais lindo todos os dias! Não sei como ele faz isso... Um dia ainda descubro!
Aproximaram nossas famílias,  mostraram o quanto somos queridos por todos...
Uma passagem tão rápida, tão fugaz...mas tão importante, fizeram muito para muitos! Fizeram tanto por mim! Muito obrigada!
Inesquecíveis, reais, marcaram minha alma,  meu coração e meu corpo!
São nossos filhos queridos,  irmãos da melzinha para todo o sempre!
Faria td outra vez meninos,  mil x se necessário... para senti los em meu ventre!
Beijo da mamãe

Chupeta

Meninas,

Mil coisas acontecendo, a casa caindo e.... o impossivel aconteceu! BEATRIZ LARGOU A CHUPETA!!! (vendeu, como ela costuma explicar)

Vou contar como foi...

Primeiro, se lembram como ela foi um bebê dificil??? Chorava dia e noite, noite e dia, sem parar. Na primeira consulta, o pediatra recomendou fortemente o uso da chupeta...
Na segunda consulta, disse a ele que ela não pegava. Ele me deu uma lista de marcas e comprei todas as marcas que ele sugeriu.
Na terceira consulta, ela saiu com a chupeta.
Ufa.
Eu procurava o botão OFF, e quando não encontrava, as vezes a chupeta a fazia acalmar e dormir.
No primeiro mes, eu colocava paninhos com o meu cheiro na esperança de acalmar, aconchegar... mas na epoca nada dava certo. Affffff que fase.
Mas ela foi crescendo.
Quando passou a dormir a noite, ela acordava quando a chupeta caia.
Eu levantava, pluft colocava a chupeta na boca, e voltavamos todos a dormir.
Quando ela aprendeu a colocar a chupeta na boca, colocava 3, 4, 5 chupetas espalhadas no berço, para facilitar a busca a noite. Funcionava. Nessa epoca tambem, ela aprendeu a arremessar a chupeta. Quando queria que eu fosse, arremessava as 1823363 chupetas para fora do berço e então chorava, do tipo "não alcanço nenhuma, vem ca, vem".
Foi quando passei a amarrar as chupetas num paninho, na naninha.
Bia e sua naninha.
Alem do paninho, uma cordinha e um bichinho.
Paninho atoalhado branco, com o interior rosa liso em cetim e um cachorrinho. Chupeta pendurada na cordinha.
Na falta desse, comprei ursinhos, patos, outras cores... Tudo em vão. Naninhas sempre rosa, de cachorrinho. Ela recusava outros modelos. Pastei na rede alo bebe procurando a especifica. Bia atualmente tem 5 dessas.
Uma amiga uma vez me alertou sobre os dentes. Alem do ja conhecido dano que a chupeta causava, ela amarrada num pano era ainda pior. Mas a Bia acalmava. Ficava quieta. Era dependente dela. Só dormia com a nana.
Caiu? Nana.
Está no carro? Nana.
Chorou? Nana.
Até seu primeiro ano de vida, a nana era um artificio para dormir, para pegar no sono.
Conforme ela cresceu, passou a ser mais e mais dependente EMOCIONALMENTE dela.
Numa consulta de dois anos e pouco, o mesmo pediatra me falou: "chega dessa chupeta. Esta passando do ponto".
Foi no inicio do ano.
Preciso reduzir o uso da mesma.
Aham.... Facil... sqn.
Primeiro tentei reduzir o uso. Ela chorava.
Passei a diflamar a chupeta. Entortava os dentes. Quando viamos criancas banguelas na rua, apontava e dizia que era de tanto usar chupeta.
Ela é vaidosa, vai dar certo. Aham.... não funcionou.
Em agosto, decidi que a Disney seria o local perfeito para ela deixar a chupeta.
Daria para uma princesa.
Glamour puro!! Tudo para dar certo. No primeiro dia de parque, ofereci para a Cinderela, castelo, tudo perfeito.
Não quis.
Pro mickey?
Não
Pra Elsa?Não.
No terceiro dia de parque, ja descrente que ia conseguir, ela me aborda na loja: quero essa boneca da Elsa neném. Ah, mas custa muito caro. Só se vc deixar de usar a chupeta.
Não quero mais usar a chupeta mamãe.
Ualllll

Comprei a Elsinha. Sem a chupeta, ela não dormiu a tarde. Mas ficou bem.
Expliquei que a Elsinha estava feliz por ter sido escolhida, mas ela não queria mais que a Bia usasse chupeta. Funcionou, das 10 da manhã até as 19 da noite. Quando chegou o sono, sem soneca.... ela urrava no carro. Sim, no carro. Nem com o balanco do carro. Dei a maledeta.
Não ia ficar insistindo e melar a viagem.
Ficou com a chupeta e a Elsinha a viagem toda.
Agora, alem de carregar de um lado para o outro a nana com a chupeta, ela carregava a Elsinha tambem.
No voo de volta, ela dormiu quase que a viagem toda. Quando chegamos, descemos do avião e a ELSINHA FICOU!!!! Desfiz as malas, e passei dois dias inteiros revirando a casa para chegar a conclusao que a Elsinha tinha ficado no avião. Liguei na TAM e nada, ninguem sabe ninguem viu.
Expliquei para a Bia que a Elsinha tinha ficado chateada porque ela ainda usava chupeta, e por isso tinha ido embora.
#pessimamãe
#mejulguem

Na semana seguinte, a BFF dela, a Nicole, ia para a Disney. Pedi que me comprasse uma Elsinha.
Foi um parto achar uma Elsinha, porque era brinquedo exclusivo da casa da Elsa, disponivel apenas na casa dela na Epcot. Revirei o site, liguei no 0800, ngm podia me ajudar. Mas a mãe da Nicole comprou para mim e me mandou uma foto.
Mostrei a foto para a Bia e disse: a Elsinha me mandou um email. Disse que esta com saudades. Que vai voltar quando voce largar a chupeta. Excelente plano!!! Mas a mãe da Nicole colocou a Elsinha na mochila, e quando fui buscar a Bia na escola, ela me entregou a Elsinha numa mão... com a chupeta na outra.
Lascou-se.
Dai me falaram de uma fada, que vc pagava e vinha em casa....
De uma arvore de chupetas...
E fui falando tudo o que ouvia... e nada surtia efeito.
Ate que um dia. o marido pediu para busca-lo no metro.
Estava chovendo.
Fui e para não esperar em frente ao metro, paramos um pouco antes. Em frente a Ri Happy, ali na domingos de moraes. A loja é imensa, e tem umas quatro vitrines.
"ual, Bia. Voce pode entrar nessa loja e escolher O QUE QUISER. Essa loja aceita chupeta em pagamento. Nem todas lojas aceitam... Nossa, olha esse ponei? E essa baby alive! Ualllll"
O pai chegou, não entramos na loja.
Na semana seguinte, fomos almocar no shopping e passamos na frente de uma loja de brinquedos. Resolvi entrar. E comecei com o ualllll.
Tudo eu mostrava na loja para ela.
Puro suicidio.
Ate que o vendedor chegou:
posso ajudar?
Acho que sim. Essa loja aceita chupeta como pagamento?
ah, sim, aceitamos.
Beatriz abriu minha bolsa, sacou a chupeta com o paninho amarrado e soltou um "o paninho é meu, viu moço?" Deu o helicopetro da polly pocket para o vendedor. Foram embrulhar enquanto eu pagava.
Saimos da loja com o brinquedo e com a chupeta escondida na bolsa.
Morrendo de medo do que estava por vir.

Chegou a noite, beatriz colocou a polly pocket para dormir e dormiu A NOITE TODA.
Ja se passaram duas semanas do ocorrido.

Chegou na escola no dia seguinte e contou para os amigos que ela tinha vendido a chupeta dela. Simples assim.
E agora faz bullying com quem usa chupeta: "olha, mamãe, ela AINDA usa".

Minha menininha está crescendo.

sábado, 12 de novembro de 2016

D'us

Eu acredito em D'us.
Acredito que Ele nos ama e quer o nosso bem.
Acredito em anjos da guarda que estao sempre nos protegendo.
Acredito tambem no livre arbitrio, onde podemos guiar nossa vida e mudar fatos.
Mas acredito no destino. Acredito que temos que passar por algumas coisas. Acredito que algumas tragedias ja estao escritas no nosso destino. Precisamos passar pro provacoes, testes de fe. Precisamos amadurecer, endurecer, sofrer. E Ele, por mais que nos ame, nos coloca nessas situacoes para que possamos ter o aprendizado.
Creio que D'us, nesse momento esta chorando junto.
Uma leitora, amiga querida, acaba de perder seus bebes de forma tragica.
Quando li a mensagem no whatsapp, levei alguns minutos para processar. E ainda nao consegui acreditar que tudo isso de fato aconteceu, que esta acontecendo.
Nossa reacao inicial é perguntar o porque.
Porque, D'us, porque?
Porque isso aconteceu?
Porque nao foi diferente...
Porque não deu tempo...
E a dor permanece em nossos coracoes e a pergunta nunca sera respondida.
Talvez, a dor nunca va embora.
Hoje a dor é grande demais.... Esta tudo doido, confuso....
Mas o tempo vai curar as feridas.
As cicatrizes sempre estarao ali.
E nesse momento, reafirmo a minha fé de que D'us nos ama, nos deu a vida e nos ampara.
E em momentos como esse, peco que cada uma reze para os que sofrem. Rezemos para que as vontades Dele sejam sempre feitas.
Para que tenhamos resiliencia para nos curvar, mas sempre voltar inteiros, como um bambu.
Para que mesmo com nossos negativos, com nossas perdas, com os terriveis momentos, nossa vida seja permeada de momentos bons e alegres.
Que por maior que seja a dor, o amor seja ainda maior.
Que no final da vida, ao lado de nossa familia e amigos, cheguemos a conclusao de que foi uma vida bem vivida.




sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Medo da morte

Meninas,

o tempo é cruel.
Ele passa rapido demais quando nao estamos vendo, e devagar demais quando queremos, ja perceberam?
Tenho 35 anos. E tenho as duas avos.
Sei que poucas pessoas tem duas avos, mas sim, eu tenho! Uma de 94 anos e uma de 90 anos. A avo de 94 anos, tive uma relacao de mae e filha, pois morei com ela. Mas ela de 4 anos para ca tornou-se muito ausente, perdeu a memoria e de certa forma, nos deixou. Esta ali, mas não esta mais.
A de 90 anos, ainda trabalha. Advogada, articulada, cheia de energia.
Quem mais tem essa oportunidade? Pois e.
E ainda tem a Beatriz, que pode conviver com as duas.
E sei que eu deveria ser grata demais por isso, mas ha semanas eu nao faco outra coisa a nao ser chorar. Fazem dois meses que a minha avo de 90 anos internou por conta de uma gripe. Entra e sai do hospital, ela finalmente saiu e esta bem debilitada. Desanimada. Abatida.
E eu não sei como lidar com tudo isso.
Eu não sei como farei quando ela nos deixar. E sinto que o fio que nos une esta a cada dia mais fragil...
E eu queria poder parar o tempo...
Pedir mais dez anos...
Com a mesma vitalidade...

Queria que Beatriz ouvisse dela tudo o que ouvi.
Conhecesse tanta gente legal que ela me apresentou...
Visse o mundo com os olhos da minha avo.
Tivesse o orgulho que eu tenho de dizer que eu sou a neta da GUIOMAR.
Queria ainda poder viajar o mundo, como viajei com ela.
Queria ouvir ela perguntar: "e qual a sobremesa é diet para mim?"

Ela ainda esta aqui. Eu ainda posso ouvi-la dizer tudo isso. Mas estou com medo, medo, medo demais de ter que me despedir dela.
Eu ainda nao consegui aceitar a morte da minha tao amada tia, e agora minha avo tambem?
Minha avo Julieta me ensinou muito, muito mesmo. Mas os ensinamentos da minha avo Guiomar me formaram gente, humana, mulher. Ela me empoderou, ela me mostrou que eu posso, que eu consigo. Ela me ensinou a lidar com gente chata. Ela me ensinou a tratar todos sempre bem. Ela me ensinou a nunca criticar Beatriz. Ela me ensinou o poder que tem uma rede de mulheres. E agora ela esta sem vontade de viver.
Ela, quem me falava sobre a inteligencia emocional, sobre a neurolinguistica, politica, economia.

Preciso arrumar forcas para passar por isso...
Minha avo foi, é e sempre sera meu tripe.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

ABrELA

Meninas, ha algum tempo atras, postei sobre um moco chamado Edson.

Hoje, atraves de uma leitora, descobri que ele não é doente coisa nenhuma.

G
O
L
P
E

Ele vai caminhando lentamente, usa roupas especiais, fala devagar, o treco é punk.
Vejam esse post aqui:
https://umdiamae.blogspot.com.br/2014/08/edson.html?showComment=1476192417262#c2357462163522008589

Bem, apos a denuncia da Aninha, resolvi eu mesma ligar para a tal ABrELA.
http://www.abrela.org.br

E a moça me interrompeu, que ja conhece o caso, que ele não tem a doenca coisa alguma.

Em primeiro, veio o serginho malandro na minha cabeca.
Me senti burra
idiota
enganada

Depois, ponderei e pensei: so ajudei.
So desejei o bem.
Eu rezei por ele.

E agora, depois de ponderar mais, concluo que:

QUER FAZER UMA AJUDA?
PROCURE UMA INSTITUICAO.

QUER DOAR?
PROCURE A ASSOCIACAO, A ONG, O QUE FOR.

Nao vou deixar de acreditar no ser humano por pessoas despreziveis como ele.
Nao vamos deixar de ajudar porque uma pessoa se sente mais esperta que os outros.

A ele, infelizmente, so desejo que tudo o que ele diz se torne realidade: que ele tenha a esclerose da forma mais completa que ele possa sentir. Que dessa, ou da forma que D'us achar melhor, ele nunca mais zombe de ninguem.


sábado, 20 de agosto de 2016

Máscaras

tem 13 mensagens para serem respondidas... e eu acabei de apagar um post meu, no meu fb porque uma amiga achou que meu desabafo era para ela. Aiai...
Ja fazem tres semanas que penso muito a respeito disso... e quero falar com vcs sobre as mascaras.

A sociedade, o outro, e nos mesmos criamos mascaras. Essas mascaras escondem quem nos realmente somos. mascaras de boazinhas que escondem sentimentos ruins. Mascaras de perfeicao, que escondem nossos defeitos, e mascaras de pessoas ruins, que escondem a bondade. Sim, porque as vezes o outro vai la e pendura a mascara no seu pescoco, e vc sem perceber, passa a vida circulando com aquele rotulo, aquela mascara.
...
Na escola, quando houve todo o papo de fusao, um casal foi rotulado. E ja se vao seis meses que eles circulam com aquele rotulo ruim...
Mas uma professora ficou doente e precisou de ajuda.
E quem ajudou, sem medir esforcos???
O casal... presente em todos os momentos.
Quem amparou aquela familia?
A outra mae, escanteada. A quem meses atras a altruista me alertou que era uma pessoa falsa.
E sabe quem mostrou tudo isso??
NINGUEM.
Os bonzoes ficaram todos quietos, segurando suas mascaras, com medo delas cairem. Viraram os holofotes para o outro lado.
Essa foi uma situacao... mas quantas dessa ainda teremos que vivenciar para ver que nem sempre as coisas sao o que parecem??
Quando afinal vamos assumir que as pessoas nao sao binarias?
Nao sao sempre boas nem sempre mas!
Quando deixaremos de aceitar esses rotulos?
...
Um casal que se casou ha uns tres anos tentou ter filhos apos um ano de casamento. Levaram 8 meses para engravidar. Envergonhada da sua imperfeicao, mesmo tendo acompanhado a minha dor e caminhada, ela nunca me transpareceu nada. Acabei acompanhando atraves do marido, amigo do meu marido.
Quando ela enfim engravidou, admitiu para mim que foram meses interminaveis. 8 lutos que doeram muito nela. Sim cada um sabe onde a dor doi ne?
Sei que ela felizmente teve uma gestacao abencoada e um parto tranquilo mas o bebe precisa ser operado devido a uma ma formacao.
OBVIOOOO que eu nao sei de nada.
De novo, o marido contou para o marido.
Mas vamos combinar: que barra!!!
nao desejo para ninguem um bebe com ma formacao!
Sequer sei de muitos detalhes, sei apenas o diz que me diz. Mas dessa historia toda, soube que essa mae nao esta sabendo administrar toda a situacao e esta depressiva, a base de medicamentos. E rodando em medicos com o bebe, como deve ser. Espero que ele em breve faca a operacao e siga uma vida tranquila, saudavel e feliz.
Mas o que a historia dessa mae tem a ver com a do casal acima?
a mascara.
Essa mae se tornou refem da mascara dela.
Para nao se expor, ela colocou sua mascara de perfeicao, e se isolou. A quem ela podera confidenciar? Como passar por uma dor tao grande sem dividir essa dor?
Deve ser uma dor imensa!
Um medo da operacao nao dar certo.
Uma culpa de "nao gestei direito".
E mesmo sem haver razao para tais culpas e medos, e cobrancas, elas existem, principalmente num coracao de uma mae. Mas essa mae esta presa sob a mascara de "sou perfeita, minha vida e perfeita" (a mesma mascara que minha bff insiste em ainda exibir).
E agora coloco para vcs:
ate quando se esconder sob mascaras?
ate quando ser refem delas?
Porque temos tanto medo de viver nossos medos, de assumir nossas imperfeicoes? Sao elas que nos tornam humanos. Ninguem é perfeito... Ninguem é sempre bom, sempre certo.

Sigamos sendo verdadeiros conosco, com nossa realidade, com nossos sentimentos. Porque a mascara vai cair um dia. É so questão de tempo.